A proclamação da República, que neste 15 de novembro comemora 108 anos, iniciou uma grande mudança no Brasil e no continente, naquele fim de século 19. O Brasil era, então, o único país das Américas a viver sob um regime monárquico. Nos seus primeiros anos, a República mudou muito lentamente a vida do País, a ponto de ser chamada Velha quando ainda não tinha chegado aos 30 anos de existência. Mas com a revolução que levou Getúlio Vargas ao poder, em 1930, as mudanças se aceleraram. O mundo todo, por sinal, acelerou o passo, através de fortes movimentos sociais e um grande esforço de industrialização.
Meio século depois da Proclamação, o Brasil dava seus primeiros grandes passos para a modernidade com a construção da Usina Siderúrgica de Volta Redonda, a criação da Companhia Vale do Rio Doce e a constituição da Petrobrás, criada já nos anos 50. Ao mesmo tempo, a ditadura Vargas baixou uma legislação trabalhista moderna, criando direitos que inexistiam e foram conquistas importantes para os trabalhadores. Nascia, apesar da ditadura, uma nova forma de vida no País.
Mas os vícios adquiridos no Estado Novo e a instabilidade política da primeira metade da década de 50 inviabilizaram o tão esperado salto para o futuro e o Brasil parou de novo. Só na segunda metade da década é que, outra vez, o País foi sacudido em suas estruturas pelo Governo Juscelino Kubitschek. Prometendo avançar 50 anos em 5, JK provocou uma nova revolução, introduzindo a indústria automobilística, construindo Brasília e, principalmente, dando aos brasileiros uma nova (e melhor) visão sobre suas próprias potencialidades. Foi uma época de euforia e crescimento que dava a impressão de que, finalmente, o Brasil cumpriria todas as suas promessas. Mas o País parou de novo, mergulhado na inflação e numa grave crise político-militar.
O golpe de 1964 fechou de vez a economia, que já ia por esse caminho com a política de substituição de importações - produzir aqui o que se comprava de fora - e calou o Congresso. Uma fechadura completa fez um grande silêncio descer sobre o País. Novamente, o Brasil parou, apesar do decantado ‘milagre’ econômico dos anos 69-74. Mais de 15 anos se passaram até o País andar de novo, com a abertura econômica do Governo Collor.
Lamentavelmente, aquele governo se revelou uma fraude e houve o sério risco de uma nova paralisia. Mas um plano modelar de estabilização, inédito no mundo, surgido do Governo Itamar Franco, que completava o mandato anterior, recolocou o País no caminho das grandes mudanças. Hoje, há 108 anos da Proclamação, estamos no meio de um furacão externo, vindo da Ásia, que levanta tudo pelos ares e obriga o País a fabricar um pára-quedas de emergência para tentar descer em segurança sobre terra firme.
O pacote da última segunda-feira tem essa função. Mas, apenas esta. O salto para o futuro, iniciado com o impulso da moeda estável, será dado, apesar da fúria do mercado externo, se conseguirmos nos livrar das amarras que nos prendem aos vacilos do passado. Um deles, a própria Constituição de 1988, a Cidadã, nos capítulos que dão razão ao desabafo do ex-presidente José Sarney sobre a ingovernabilidade do País.
Reformar a Constituição é o ponto focal na conquista do futuro. As reformas tributária, fiscal, trabalhista e previdenciária, além da administrativa, passam necessariamente pela mudança do texto constitucional. Só assim o País terá a base capaz de levá-lo adiante no caminho do desenvolvimento e de uma República verdadeiramente moderna e próspera. Mesmo que outros vendavais venham dos quatro cantos do mundo.

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