Editorial - A hora da escolha
A campanha eleitoral está definida, muitos candidatos já iniciaram a caminhada em busca do voto, mas o eleitor ainda não está com a atenção voltada para a disputa. Naturalmente, só depois deste domingo, com a luta final da seleção brasileira pela conquista do penta na Copa da França, é que a eleição passará a ganhar mais espaço. E, como também costuma acontecer, a grande maioria dos eleitores terá contato com os candidatos e suas propostas apenas quando for iniciada a propaganda gratuita no rádio e TV, para então começar a se definir. Um processo tão vital como este da escolha dos representantes públicos não deveria ter início tão pífio.
Em carta publicada esta semana na Folha, um leitor (que revelou ser também um eleitor muito consciente), pede que o jornal publique a lista de todos os candidatos, solicitação que a Folha atende na edição de hoje, com a divulgação dos 800 nomes que disputarão a preferência dos eleitores no Paraná, liberados ontem pelo TRE. Em realidade, esta é uma das reais obrigações de qualquer órgão de comunicação que tem como missão principal a de divulgar fatos e informações, sem restrições de qualquer espécie. O problema é que poucos são os eleitores que, como o citado, se preocupam em conhecer os candidatos, em tentar fazer uma seleção criteriosa de seus futuros representantes, exercendo de modo maiúsculo não é um dever (ainda que o voto continue a ser obrigatório), mas um direito conquistado pelo ser humano ao longo da História, com muitos e incontáveis sacrifícios.
A escolha pelo voto é livre e soberana, mas precisa ser feita com evidente responsabilidade. Se muitos eleitores apenas aguardam o horário eleitoral gratuito para ver quem são e o que propõem os postulantes (isto para quem ainda tem a preocupação de acompanhar estes programas), há outra parcela importante da população que nem isto faz, e simplesmente se locomove para as urnas no dia do pleito sem sequer se aprofundar sobre o gesto cívico de votar.
São defeitos decorrentes, principalmente, da deficiente educação da maioria. É oportuno observar que os governantes, que usam muito espaço e tempo nos órgãos de divulgação para apresentar suas obras - o que é até certo ponto admissível -, não se preocupam tanto em difundir ao povo os conceitos básicos sobre o papel fundamental do eleitor no processo. Seria importante, nesta fase, que houvesse uma intensa promoção daquele conceito que é básico na democracia e que está consagrado na Constituição através da frase todo o poder emana do povo e em seu nome será exercido. Esta é a pedra fundamental a garantir toda a estrutura.
É certo que o modo que o povo tem de influir neste poder é pela participação nos partidos políticos. Proporcionalmente, porém, poucos são os eleitores que o fazem. Assim, para a maioria, o poder é exercitado por meio do voto, que é a arma pela qual o cidadão não apenas escolhe um candidato, mas outorga a ele e aos demais eleitos o direito de exercer o poder em seu nome. E diante disto, é imperioso que haja o mais pleno e consciente conhecimento sobre os candidatos para todas as escolhas que são colocadas num pleito. No caso atual, trata-se de saber não só quem postula a presidência, os governos de Estado ou o Senado, mas também os que pretendem representar o povo na Câmara Federal e nas Assembléias Legislativas. Deixar para escolher estes representantes no último dia ou sequer dar valor a esta escolha não constitui apenas uma visão equivocada do processo. Representa um verdadeiro crime contra a própria democracia.





