EDITORIAL - A força da torcida
O engajamento da comunidade revela como o futebol tem o poder de se converter em ativo econômico e simbólico
PUBLICAÇÃO
sábado, 07 de março de 2026
O engajamento da comunidade revela como o futebol tem o poder de se converter em ativo econômico e simbólico
Com a notícia de que os ingressos para a decisão do Campeonato Paranaense, neste sábado (7), no Estádio do Café, foram esgotados já na segunda-feira (2), o Londrina Esporte Clube expõe a força de sua torcida e a mobilização que tomou conta da cidade. O confronto contra o Operário marcará a maior presença de público no local desde 2018, mas não conseguirá se aproximar do número em questão devido às limitações impostas pela Lei Geral do Esporte. Ou seja, o jogo histórico será realizado sob um limite que evidencia os desafios estruturais que o LEC enfrenta nas partidas dentro de casa.
Liberado para pouco mais de 19 mil torcedores, o estádio do Café não pode receber mais de 20 mil pessoas. A restrição está prevista no artigo 148 da nova legislação esportiva, em vigor desde junho de 2025, que determinou a obrigatoriedade de catracas com biometria facial e sistema de monitoramento eletrônico em estádios com capacidade acima dos 20 mil. Como o Café ainda não dispõe dessa tecnologia, sua capacidade máxima operacional ficou reduzida.
A limitação impede que o Londrina quebre recordes recentes. Em novembro de 2018, o clube recebeu 24.255 torcedores no duelo contra o CRB, pela Série B do Campeonato Brasileiro.
A modernização, portanto, deixa de ser opção e se impõe como necessidade. A própria CBF já exige biometria ativa em estádios utilizados por equipes da Série A, independentemente da capacidade.
Se, por um lado, as limitações físicas contêm o público, que poderia ser maior para o jogo da decisão, por outro, não reduzem o entusiasmo do londrinense. A campanha “Londrina Veste Azul e Branco”, lançada pela Associação Comercial e Industrial de Londrina, convoca lojistas e moradores a incorporarem as cores do clube em vitrines, fachadas e produtos, estimulando o comércio e fortalecendo o sentimento de pertencimento.
O engajamento da comunidade revela como o futebol tem o poder de se converter em ativo econômico e simbólico. A final, no próximo sábado, representa a afirmação da identidade local e a capacidade de mobilização de uma cidade em torno do seu time.
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