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Londrina

Opinião

m de leitura Atualizado em 28/02/2022, 20:40

EDITORIAL - A estratégia do ocidente contra a Rússia

PUBLICAÇÃO
terça-feira, 01 de março de 2022

Folha de Londrina
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A invasão da Ucrânia pela Rússia completou cinco dias e a primeira tentativa de cessar fogo foi frustrada, nesta segunda (28), ao mesmo tempo em que uma histórica Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) se inicia com o objetivo de realizar uma votação para isolar a Rússia, condenando sua "agressão contra a Ucrânia" e exigindo a retirada dos soldados russos. É uma reunião histórica porque é a primeira a acontecer em 40 anos e tem peso político: no mínimo clamar pelo isolamento da Rússia. 

Sergey Bobok/AFP Sergey Bobok/AFP
Sergey Bobok/AFP |  Foto: Wagner Araujo
 

Uma nova reunião deve acontecer nos próximos dias, nas vias diplomáticas. Mas nas ruas do país invadido pelos russos, a guerra evidencia a mão pesada de Putin. 

Vídeos com a veracidade confirmada pela agência de checagem Bellingcat, da Holanda, mostram uma sequência de mísseis de artilharia caindo sobre áreas civis da cidade de Kharkiv. Nesta mesma localidade, testemunhas postaram fotos de um foguete que transportava munição de cluster, que é proibida, pois carrega bombas de fragmentação. São  explosivos que liberam uma grande quantidade de projéteis ou fragmentos lançados em todas as direções com a finalidade de causar grande número de vítimas.

A guerra em curso na Ucrânia tem mostrado o poder de uma arma silenciosa que chega para os dois lados na forma de ataques cibernéticos. Ucrânia acusa a vizinha de tirar do ar sites de defesa do país, na semana passada, enquanto o grupo de hackers Anonymous assumiu a responsabilidade de uma série de ciberataques que desestabilizaram, no fim do semana, sites do Kremlin,  do parlamento russo e do Ministério da Defesa. 

Nesta segunda (28) os Anonymous reivindicaram outros ataques a vários veículos de comunicação da Rússia que, durante vários minutos exibiram uma mensagem, pedindo o "fim" da invasão russa da Ucrânia. "Dentro de alguns anos, viveremos como na Coreia do Norte. Por que precisamos disso? Para que Putin acabe nos livros de história? Não é nossa guerra, vamos detê-la!", dizia o texto. 

Questionada nos primeiros dias da guerra, a estratégia dos países do ocidente de tornar Putin um pária pode estar começando a surtir os primeiros resultados ao sinais de queda livre da economia Rússia neste começo de semana. Atingindo o Banco Central russo com sanções amargas, os líderes europeus e americanos voltaram as suas armas para a desvalorização do rublo. Eis uma fraqueza reconhecida de Putin, que de quebra vem recebendo represálias de vários lados, algumas mexendo com o orgulho do país, como a expulsão da Rússia da Copa do Catar.  

Para um presidente que proíbe os jornalistas no seu país de usarem a palavra "guerra" e "invasão" e se preocupa em criar as suas narrativas, os sinais de queda drástica da economia e as represálias têm peso. Resta saber até que ponto elas vão ajudar na resolução da guerra, que precisa ser a prioridade.  

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