EDITORIAL - A eleição da História
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segunda-feira, 31 de outubro de 2022
Folha de Londrina 

Podemos dizer que foi a eleição brasileira dos superlativos. A mais acirrada, tensa, emocionante, apertada. Com apuração voto a voto, desde às 17 horas, quando começou a contagem, até as 20 horas, quando o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) declarou o petista Luiz Inácio Lula da Silva eleito presidente da República.
É a primeira vez na História que um brasileiro se elege presidente três vezes pelo voto direito. O petista já havia saído vitorioso do pleito de 2002, quando superou José Serra (PSDB) e obteve o primeiro mandato, e ao disputar a reeleição em 2006, contra Geraldo Alckmin (ex-PSDB, hoje PSB), e que agora será seu vice.
Na intensidade dos superlativos, fica a constatação de que a campanha deixa a marca da construção de duas lideranças políticas incontestáveis na história recente da República, que praticamente dividiram a totalidade dos votos do país.
O resultado foi confirmado às 19h56, com 98,81% das urnas apuradas. Lula tinha 50,83% dos votos, contra 49,17% de Bolsonaro. Com 60 milhões de votos, Lula se consolida como um dos mais populares líderes políticos da história do Brasil. O seu oponente, mesmo derrotado, sai com um capital político de 58 milhões de votos.
Em seu discurso da vitória, Lula pregou a união, o combate à miséria e frisou que "não existem dois brasis". Ele sabe que será um desafio governar um país dividido, mas aposta nas prioridades já elencadas, como a garantia do Auxílio Brasil de R$ 600 no próximo ano e o reajuste do salário mínimo acima da inflação.
O petista também já disse que deseja montar um plano de infraestrutura de emergência, com obras prioritárias em cada estado, logo nos primeiros 100 dias de governo.
E o povo brasileiro deu exemplo ao atender o chamado das urnas. Pela primeira vez, a abstenção no segundo turno das eleições presidenciais foi menor do que no primeiro turno. Ficou em 20,56%, com 99,53% das urnas apuradas. No primeiro turno, foi de 20,95%. Em todas as outras eleições presidenciais já disputadas na democracia, a abstenção cresceu no segundo turno.
Com certeza contribuiu o movimento dos prefeitos e governadores em liberar transporte público gratuito para que os cidadãos pudessem se deslocar, mostrando que foi uma decisão acertada. Mas é claro que nada supera o apelo da mobilização popular e a influência dessa disputa que ficará para a história.
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