A corrupção no mundo
O Brasil não é o país mais corrupto do mundo, conforme relatório divulgado esta semana pela Transparency International, uma organização não-governamental que vem acompanhando os índices de corrupção em 99 países desde 1995. O índice pesquisa informações sobre propinas pedidas aos agentes internacionais por funcionários públicos de altos escalões, sendo que os dados foram fornecidos pelos próprios governos e pelos organismos de financiamento externo, e compilados por organizações como o World Economic Forum, Banco Mundial, Economist Inteligence Unit, Gallup International, Freedom House, Wall Street Journal, entre outros. Neste ranking, que envolve quase uma centena de países, os ricos Dinamarca, Finlândia, Nova Zelândia e Suécia estão na liderança como os menos corruptos do mundo. E, no fim da fila, ocupando o 99º lugar, como o país considerado mais corrupto do mundo, está a africana República dos Camarões, enquanto outro africano, a Nigéria, está em 98º lugar.
Neste rol, o Brasil ocupa uma posição intermediária: a agência o coloca em 45º lugar, na medida da corrupção, com uma pequena melhora em relação ao ano passado, quando o país ocupava a 46ª posição. Entre os latino-americanos, o melhor colocado é o Chile, em 19º, seguido de Costa Rica, em 32º. A Argentina ficou em 71º lugar, uma posição muito ruim que confirma, entre outras coisas, a própria percepção do eleitor daquele país, que elegeu um candidato presidencial da oposição por causa da recessão e da corrupção. Em relação à posição brasileira, embora estando acima da metade entre os países listados, a média do país, aferida pela entidade que realiza a pesquisa, não é das melhores. A nota é 4,1, o que, conforme assinalam os especialistas, está abaixo da média que poderia, em um currículo escolar, garantir a aprovação.
Pode ser até tentadora a idéia de se observar que existe muito mais corrupção em outros países, sendo que além da Argentina o Paraguai, outro parceiro do Mercosul, está abaixo do Brasil, enquanto o Uruguai fica pouco acima, em 42º lugar. Todavia, o que se tem é um quadro inaceitável, não só pela média ou pela colocação, mas pela percepção de que este fenômeno, um verdadeiro câncer político e social, continua a marcar presença numa época em que a consciência de cidadania se amplia e quando o ser humano comum insiste em mudança no comportamento dos que governam. O Brasil mudou muito. A partir do lançamento do projeto de estabilidade econômica houve uma grande evolução nos conceitos relativos aos direitos e deveres do cidadão, há uma luta grande para que se modifiquem conceitos abusivos, herdados de épocas desastrosas, como as da inflação incontrolável, mas os números revelados na pesquisa citada indicam o que a percepção do homem comum já percebeu: falta ainda um longo caminho para se vencer alguns dos mais graves males da vida nacional.
Em face do assunto, importa pouco a colocação do Brasil diante do mundo, ou o fato de que existam nações mais corruptas. O que fica muito claro é que persiste entre nós uma situação que não só é inaceitável, mas deveria ser combatida de todas as formas possíveis, constituindo mesmo uma das prioridades de qualquer administração. Quando se sabe das dificuldades que o país enfrenta, dos sacrifícios da população, de toda esta complexa situação com que o Brasil se depara, qualquer tipo de corrupção, que implica em roubo do dinheiro público e em sangria de recursos que poderiam estar sendo usados para beneficiar a população, se torna ainda mais lamentável. A consciência que se formou de cidadania nestes últimos anos não aceita a continuidade deste tipo de crime que penaliza toda a sociedade brasileira.

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