No dia 21 de julho de 1969, precisamente às 2 horas e 56 minutos GMT (às 23h56 do dia 20, nos EUA), um ser humano pisou pela primeira vez no solo da Lua, no que foi magnificamente caracterizado como ‘‘um grande salto para a humanidade’’. Cerca de 500 milhões de pessoas – o que constituiu um recorde naquela ocasião – acompanharam ao vivo, pela televisão, o desembarque do americano Neil Armstrong no satélite da Terra, filmado por seu colega Edwin ‘‘Buzz’’ Aldrin. Com isso, os Estados Unidos venceram o desafio, anunciado oito anos antes pelo então presidente John Kennedy, de chegar à Lua em um vôo tripulado antes do final dos anos 60.
O anúncio feito pelo presidente dos Estados Unidos à época ocorreu em um momento em que o país vivia uma situação de inferioridade face à humilhação imposta pela União Soviética com seus vôos Sputnik e as façanhas de Yuri Gagarin, o primeiro ser humano a realizar uma viagem espacial, em 1961. O feito soviético, ocorrido durante em uma das fases mais agudas da Guerra Fria, provocou imensa frustração aos norte-americanos. Já envolvidos em projetos espaciais, os Estados Unidos não esperavam que seus principais rivais obtivessem tamanho sucesso. O desafio imposto era dos mais sérios, até porque estava em jogo inclusive o prestígio da maior potência do Ocidente que dava, então, a impressão de estar perdendo a mais importante de todas as batalhas pelo predomínio mundial.
Quando Kennedy anunciou que os Estados Unidos iriam colocar um homem na Lua antes do final da década, enfatizando que isso seria feito exatamente por representar um desafio incomensurável, houve dúvidas. A impressão era a de que diante da derrota imposta pelos soviéticos o presidente norte-americano tentava desviar atenções. Todavia, apesar do assassinato de Kennedy e das dificuldades imensas que os Estados Unidos enfrentaram naquela década – o que inclui a escalada da guerra no Vietn㠖 a promessa se concretizou, antes que a década findasse. Realizando uma proeza que é considerada tão difícil que ainda hoje há quem duvide dela, os norte-americanos chegaram à Lua.
A missão foi meticulosamente preparada. Para isso, construiu-se um foguete de potência inigualável até então, o Saturno V, de 120 metros de altura e que custou 225 milhões de dólares. Em 16 de julho, Armstrong, Aldrin e Michael Collins, em posição horizontal na cápsula Apollo 11, que foi colocada na ponta do lançador, decolaram da base 39-A do centro espacial de Cabo Canaveral (Flórida), em meio a um terrível estrondo. Quatro dias mais tarde, imersos no silêncio do espaço, a Apollo entrou em órbita em torno da Lua. Armstrong e Aldrin entram no compartimento do módulo lunar LEM, apelidado ‘‘Eagle’’ (Águia, o símbolo dos EUA), que se desprende da cápsula e empreende a descida histórica.
A conquista da Lua, que completou 21 anos há poucos dias, é por si um atestado sobre a capacidade do homem, em qualquer circunstância. Capaz de criar artefatos que destróem cidades, ou que, mais modernos ainda, matam gente sem destruir as edificações, o homem também pode ultrapassar barreiras consideradas impossíveis, chegando à Lua. É tudo uma questão de vontade. A principal lição que deveria ficar, na verdade, é precisamente esta: quando quer, o ser humano é capaz de atingir as estrelas. Infelizmente, na maior parte do tempo, os que dirigem a humanidade buscam outros objetivos, bem menos nobres que o de John Kennedy há 40 anos. Por isso, o mundo ainda sofre com fome, miséria e doenças.

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