Encerrado o prazo para as transferências de partido, com vistas às eleições do ano que vem, os políticos podem começar a definir o quadro sucessório no Legislativo e no Executivo estadual e federal. Depois da ciranda de mudanças, na qual procuraram a melhor acomodação e os partidos as melhores composições, os políticos iniciam agora a contagem regressiva para o pleito de 3 de outubro de 1998, que pela reeleição e outras inovações introduzidas na nova legislação, será muito diferente de outras eleições.
A possibilidade da reeleição para os chefes de Executivo federal e estadual é inédita na História republicana do Brasil. Mudanças nos quadros partidários nos últimos meses, algumas surpreendentes, são decorrência desta situação, pois com a reeleição os próprios aliados de governadores que tinham pretensões maiores precisaram buscar acomodação em outras legendas a fim de disputar uma vaga no futuro pleito.
A possibilidade de reeleição e a nova lei privilegiam os atuais chefes de Executivo, mas não constituem uma garantia de vitória. Urnas sempre são um desafio e uma incógnita. A permissão para presidente da República e governador de Estado - e no ano 2000 também os prefeitos - disputarem um segundo mandato em seguida ao primeiro abre outras perspectivas na vida política brasileira, mas não garante o futuro de ninguém.
A inovação cria uma forma de plebiscito para o governante que se dispõe a enfrentar as urnas ainda no cargo. Se está fazendo um bom governo, pode contar com uma boa votação e isto certamente não lhe faltará. Mas de pouco servirá sua campanha e até mesmo as obras de última hora, se ao longo de seu governo não tiver cumprido um programa de ação que o confirme no cargo. Se leva a vantagem de permanecer no cargo, têm a desvantagem de se defrontar com a memória ainda bem viva do eleitorado e dos seus adversários.
O quadro político-partidário que temos agora abre a etapa das negociações, das composições, dos acordos com vistas à formação de chapas. É o jogo da política e dos políticos, mas do qual o eleitor não pode (nem deve) ficar alheio. Tudo o que se fará, assim como o que já se fez nos últimos meses, visa, ainda que não pareça, o eleitor - aquele que detém a palavra final, o veredito que se chama voto e por meio do qual o povo exerce o poder. Todas estas articulações, que merecem espaço cada vez maior na imprensa, precisam ser acompanhadas com atenção pela sociedade.
O voto que será depositado nas urnas de 3 de outubro do ano que vem deve ser simplesmente o resultado final de tudo o que se acompanha desde agora. E é vital para a democracia e a evolução política e social do País que o eleitor esteja alerta e atento, acompanhando todas as negociações, para poder exercitar de modo consciente e claro o seu direito dentro de um ano.

mockup