Na medida em que o mundo vai confirmando as previsões e se convertendo numa aldeia global, as mudanças produzem, naturalmente, bons e maus efeitos. Muitos, inclusive, consideram que a onda de desemprego que atinge grande número de países tem como causa a tal globalização da economia. Outros, possivelmente com uma visão mais lúcida, entendem que diante de um processo que é irreversível, o remédio é uma mudança de mentalidade, uma alteração nos conceitos para que os desafios, como os da falta de empregos, possam ser enfrentados através de novos métodos, eventualmente mais inteligentes e criativos. De qualquer modo, não parece haver dúvidas sobre a realidade de que esta transformação tem mais bons que maus efeitos sobre a vida. Nunca, como nesta era, o ser humano teve maior previsão de vida, não se tem notícia em tempo algum da história da humanidade de tantas maravilhas quanto as que se desfruta atualmente, em muitos casos quase sem perceber.
Paralelamente aos grandes benefícios que esta nova era está trazendo, junto aos problemas estruturais, como o do emprego, há, porém, outro imenso desafio que atinge toda a sociedade civilizada: o crime. A escritora norte-americana, Pearl Buck, consagrada pelo Nobel nos anos 40, afirmou em uma convenção internacional realizada nos Estados Unidos que ‘‘apenas 3% da humanidade é constituída de pessoas más’’, incluindo-se aí, naturalmente, os criminosos. E ponderava que os outros 97% poderiam resgatá-los, caso fossem cada vez melhores. Não havia então, nem há agora, um tipo de estatística que confirme aquele percentual, mas é certo que os criminosos, ainda que sejam minoria no mundo, têm uma força tremenda porque não aceitam as leis, agem sem qualquer freio moral ou legal.
Na medida em que o mundo se torna menor, os criminosos usam todas as facilidades postas à disposição da Humanidade em seu benefício. De tal modo isto ocorre que o crime organizado em nível mundial pode ser considerado, sem dúvida, a maior ameaça à própria civilização. O poderio dos cartéis de droga, que movimentam milhões de dólares pelo mundo, é indicativo. Chegam a pretender dominar governos, como na Colômbia, tripudiam sobre as leis de qualquer país, usam a força do dinheiro ou das armas para impor seu império quase universal.
Não se restringem, porém, hoje, apenas às drogas. Traficam armas, fazem do furto de veículos uma indústria, chantageiam, ameaçam. Atuam também, conforme denúncia do ministro brasileiro da Justiça, Renan Calheiros, na prostituição: ‘‘Estamos ante uma nova faceta do crime organizado, que deverá ser enfrentado com um esforço transnacional, porque a cada dia sofisticam mais suas atividades’’, assinalou. A denúncia do ministro brasileiro, feita em Madri, está ligada à descoberta de uma rede que está levando mulheres brasileiras para o exterior, especialmente Israel, forçando-as a se prostituir.
O ministro brasileiro foi à Espanha para se entrevistar com os ministros espanhóis da Justiça, Margarita Mariscal de Gante, e Interior, Jaime Mayor Oreja, com quem acertou a aplicação do convênio para o cumprimento de penas de pessoas condenadas, assim como trabalhar sobre um acordo de cooperação em matéria judicial penal.
Na verdade, este é o caminho na luta contra o crime em escala mundial: os países civilizados precisam se unir, formar políticas e ações comuns no combate à ameaça criminosa. Sem uma atividade global de polícia, em defesa da sociedade, toda a civilização como a conhecemos fica seriamente ameaçada.

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