Economizando milhões e perdendo bilhões
Depois da turbulência e do enorme prejuízo causado pela febre aftosa artificial e pela presença de resíduos tóxicos em vários produtos, os mercados externos vão levantando os embargos à aceitação das carnes brasileiras e outros alimentos. Mas especialistas do setor apontam para a continuidade das falhas do controle sanitário, alertando para os prejuízos que ainda podem ocorrer. Agora, não só autoridades sanitárias mas técnicos e auditores do Tribunal de Contas da União (TCU), estribados em dados financeiros, mostram o que qualificam de descaso do Ministério do Planejamento com relação à vigilância sanitária de parte do Ministério da Agricultura e Pecuária. O alerta foi publicado no jornal O Estado de S.Paulo e denuncia que o problema começa na elaboração do orçamento geral da União, continua na lenta liberação de recursos e completa-se na sua aplicação insuficiente. O relatório do TCU denuncia as péssimas condições do serviço (de controle de sanidade), a insuficiência de pessoal e das condições técnicas, e o excesso de burocracia. E mostra que o controle é falho também nos portos e aeroportos e deficiente na cadeia do agronegócio, tanto nas lavouras como na produção animal. Verbas constam do orçamento mas o dinheiro é liberado muito devagar pelas autoridades financeiras. Os técnicos alertam que pouco adianta a diplomacia comercial protestar contra o protecionismo de outros países quando o agronegócio está em risco permanente de graves problemas sanitários, por deficiência de controle. Os auditores do Tribunal de Contas afirmam em seu relato que não há cooperação entre fiscais da Receita e o programa Vigiagro. O Governo, que tanto exalta o superávit da balança comercial em grande parte sustentado pelos produtos da agropecuária imagina que isto será duradouro e que acontece por acaso, despreocupando-se com o zelo que esse importante segmento econômico e estratégico precisa receber continuamente. O exemplo do ano passado e que ainda tem reflexos negativos porque só agora a suspensão das restrições começa a ocorrer parece não ter servido de advertência. Até que novas sanções aconteçam. Esta é a imprevidência governamental, que não se alterou com a mudança de ministros, leia-se o então poderoso Antonio Palocci, da Fazenda, dono das chaves do cofre e pouco amigo do agronegócio, e Roberto Rodrigues, da Agricultura e Pecuária. E deste, não se nega que sempre tenha se queixado da insuficiência de verbas para os atendimentos de seu Ministério. Controle sanitário animal incluído. O próprio coordenador-geral do Vigiagro, Oscar de Aguiar Rosa, faz a mais irônica e contundente das críticas: que o Governo economiza alguns milhões e se arrisca a perder bilhões.





