A preocupação com o desemprego no país ganhou mais um agravante. Se por um lado a manutenção das elevadas taxas de juros bancários asseguram ao governo um cenário mais propício para a retomada do crescimento a longo prazo, por outro, a permanência por grandes períodos da taxa Selic em um patamar elevado pode comprometer os setores produtivos, que dependem de captação de recursos para sobreviver. ''Os juros altos estão matando o Brasil'', afirma Marcelo Cassa. ''E os maiores geradores de emprego (no caso, as pequenas empresas) são os que mais sofrem com tal política''.
No entanto, a redução gradativa dos juros é defendida pelo economista Cláudio Chuisoli. ''Se houvesse hoje uma redução maior que o 1,5% anunciado pelo Copom na última quarta-feira, os investidores estrangeiros, que ganham dinheiro com a taxa elevada, seriam afugentados. A redução gradativa é a melhor saída para uma país como o Brasil'', diz.
Sem poder escolher entre reduções drásticas ou gradativas nos juros, os empresários londrinenses buscam soluções para contornar a crise. Na loja de Antônio Marques, por exemplo, as alternativas vão desde a propaganda em jornais e rádios até a contratação de um locutor comercial, que fica em frente as lojas chamando a atenção dos pedestres para os produtos em promoção. ''O locutor comercial é o primeiro vendedor da loja'', afirma Josuel Rodrigues, há sete anos na profissão. ''O efeito é restrito, mas efetivo'', conta Marques.
Já o gerente de uma loja de confecções da cidade, Osmar Cassoto, prefere os apelos mais tradicionais para atrair fregueses, como propagandas em TVs e jornais. ''A barulheira dos locutores espantam os fregueses'', acredita. (A.L)

mockup