Economia vive prenúncios de inflação
A estabilidade econômica, sustentada durante mais de dez anos pela convergência de vários fatores favoráveis (forte crescimento da economia mundial, estabilidade monetária, juros menores e grande oferta interna de alimentos), está chegando ao fim.
Aquilo que, semanas atrás eram apenas especulações, agora deve transparecer no comportamento dos preços no último trimestre do ano. E uma leitura mais atenta do cenário no curtíssimo prazo, aponta para um período de inflação com recessão no primeiro trimestre de 2008.
Pelo menos é o que sinalizam alguns indícios como as inquietantes tentativas de remarcação em setores fornecedores de matérias-primas para bens de consumo duráveis e não duráveis, além da própria expectativa dos consumidores. Esses movimentos já são detectados por indicadores confiáveis como o Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (Inec), da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Há outro indicador forte, que não é fruto de projeções, mas de fato consumado. Trata-se do aumento do IGP-M de setembro, que avançou quase 1,5%, segundo o Banco Central.
Existe uma mistura perigosa que tende a confirmar o cenário negativo: desaceleração das exportações em função da disparidade cambial, queda de emprego e prenúncio de uma retomada da ascensão dos juros internos.
No caso do câmbio, é ilusório achar que dólar baixo significa fortalecimento da moeda nacional. O Brasil hoje está com as portas escancaradas para os importados (sem falar da farra da pirataria). Isso inibe o mercado nacional e tem como primeira conseqüência a redução da oferta de empregos.
O consumidor percebeu o quadro e está com o pé no freio. Intuitivo ou bem informado, o consumidor já acionou seu desconfiômetro, como aponta o Inec.
O governo vê a redução do dólar com ufanismo; comemora como se fora mérito da equipe econômica: Temos uma moeda forte que não se submete ao dólar. Mas não leva em conta o sufoco da indústria nacional. Produtos importados garantem emprego na China.
O dólar recuou entre 14% e 14,2% este ano, isto porque o Banco Central entra no mercado comprando; poderia ter caído mais.
O BC vai ter que mexer no câmbio e, num prazo mais elástico alterar a política monetária. Para não fazer isso teria de adotar uma política fiscal eficaz (uma compensa a outra). Como a política fiscal está fora de cogitação (a gastança vai continuar), terá de conter a demanda agregada de bens - geradora de inflação - através de juros altos.





