A economia subterrânea, que compreende a produção de bens e a oferta de serviços não informada deliberadamente aos governos, inclusive as ilegais como a pirataria, movimentou no último ano R$ 663,4 bilhões no Brasil.
O valor é significativo, representando 18,3% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo o Índice de Economia Subterrânea, calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) em conjunto com o Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (Etco).
O índice vinha apresentando queda nos últimos anos - em 2003 a participação equivalia a 21% do PIB -, mas se mantém próximo ao registrado em 2009 (18,5%) e 2008 (18,7%), o que demonstra que a economia informal continua praticamente no mesmo nível há três anos.
O problema é que os empresários que operam à margem da política tributária ainda são muitos e oneram aqueles que buscam cumprir com suas obrigações com o Estado.
Além disso, especialistas relembram que a informalidade, além de em alguns casos estar ligada ao crime organizado, traz prejuízos para a sociedade por criar um ambiente de transgressão e estimular o comportamento econômico oportunista.
Só que o combate efetivo aos informais não está ligado apenas ao aumento da fiscalização - que muitas vezes se mostra ineficaz e até mesmo corrupta.
O governo, em todos os níveis, precisa levantar o motivo pelo qual um número tão expressivo de pessoas prefere permanecer na economia subterrânea para atacar as causas, convertendo-as para a economia formal.
O fato de muitos dos motivos que levam à informalidade estarem ligados diretamente ao próprio governo e exigirem uma reforma completa atrasa esse exercício de análise. Carga tributária elevada, excesso de burocratização e corrupção estão entre os fatores que dificultam a emersão.
Mudar a situação requer uma atitude mais enérgica, mas por ora a inércia parece ser a tônica dos governantes.

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