Economia sofre com o fantasma de setembro
Com o advento ocorrido em setembro do ano passado, a grande potência mundial sentiu-se fragilizada pela audácia dos terroristas que suplantou o mais pessimista dos mortais do tocante à retaliação à maior economia do universo.
Tivemos, no ano de 2001, o PIB da economia americana superior a US$ 10 trilhões, com as demais economias como japonesa e alemã não suplantando a casa dos US$ 4 trilhões. O Brasil não superou a US$ 500 bilhões, ou seja, o PIB não foi superior a R$ 1,180 bilhões e a dívida pública atual já suplanta a casa dos R$ 630 bilhões.
O risco das economias emergentes foi agravado com o posicionamento terrorista utilizado no mercado, no qual as expectativas geradas somadas aos fuxiqueiros de plantão que buscam obter lucro em benefício próprio, vão cerceando os investimentos mundiais.
A comparação do Brasil com os Estados Unidos é de 20 para 1. Os investimentos são reduzidos com as transferências de divisas ocorrendo a cada momento. O Refis imposto nos governos municipais, estaduais e federal é um exemplo de como a voracidade da arrecadação retira do mercado recursos de aplicação. Por conseguinte, o giro do dinheiro cai sobre maneira.
Prova são os altos juros do mercado com os spreads bancários suplantando todas as expectativas. Quando os grandes grupos conseguem negociar descontos de duplicatas entre 1,85% ao mês e 2,10% ao mês, os pequenos tomadores pagam taxas superiores a 200% ao ano. Cheques especiais entre 8% ao mês e 12% ao mês e produtos das empresas coligadas dos bancos sendo empurrados goela abaixo pelos bancos bem como as metas cada dia mais exigentes para cada gerente de conta penaliza o setor produtivo beneficiando sobre maneira o setor capitalista.
Para que o leitor tenha uma idéia, a meta estipulada para o gerente de banco e sua equipe vai desde a captação de recursos de empréstimos a serem realizados a patamares de taxas a serem cobradas mais tarifas de prestações de serviços.
Em muitos eventos em que participamos sempre citamos que na maior cooperativa da América Latina, a Coamo, de Campo Mourão, cujo faturamento suplantou a casa de R$ 1 bilhão em um ano produtivo, agregando milhares de produtores cooperados. Em comparação, a maior empresa de eletrodomésticos do país chegou a duras penas a casa do R$ 1 bilhão de faturamento, o que foi considerado uma grande cifra no mercado.
Os três maiores bancos do Brasil que são, nesta ordem, o Bradesco, o Itaú e o Unibanco, suplantaram a R$ 10 bilhões somente de tarifas. O que dizer então do toma lá da cá com relação aos empréstimos?
Poderia então o leitor dizer: a comparação não procede pois os três grandes bancos são grandes bancos. No entanto, estamos colocando em parâmetro de comparação a maior cooperativa da América Latina e também a maior empresa revendedora de eletrodomésticos do país.
É o tamanho do setor capitalista e o tamanho do setor produtivo em xeque para breve análise. Os investimentos, quer por índices de pesquisas políticas quer por risco Brasil e da América Latina e também por grandes eventos terroristas, não estão acontecendo. E, quando vencem tais investimentos, as renovações não estão tendo o mesmo tratamento.
Quando nos questionam sobre posicionamentos políticos, não temos qualquer preferência. No entanto, tenho certeza que no caso das expectativas de riscos continuarem, o Congresso Nacional atribuirá ao presidente do Banco Central e ao Ministro do Planejamento uma forma de carreira político-partidária econômica, ou seja, o Congresso Nacional e o Senado Federal poderão requisitar os préstimos dos atuais ministros e responsáveis das áreas monetárias para continuarem seu trabalho, evitando o que os especialistas chamam de risco Brasil.
A exposição dos programas dos próximos governantes deve ser clara e objetiva para evitar especulações que possam declinar a qualidade do papel do Brasil. É importante ressaltar os problemas que a América do Sul foi vitimada com a morte do vice presidente paraguaio, a inadimplência geral da Argentina que contaminou o setor bancário uruguaio e também as importações e as exportações como um todo, sem nos esquecermos dos problemas vividos por chilenos, equatorianos, bolivianos onde também a Venezuela se fez presente na lista das crises políticas e financeiras.
Os investimentos demonstram as incertezas vividas e temos que nos preocupar com a transparência dos programas partidários, bem como com um gerenciamento monitorado em nosso orçamento e políticas econômicas a serem adotadas. Todas as atitudes a serem tomadas posteriormente poderão contaminar ou não o risco Brasil.
- PAULO AFONSO RODRIGUES é contabilista e assessor financeiro em Londrina





