O salário mínimo (SM) a R$ 540, em 2011, como se cogita, indica que Dilma tem consciência de que a economia precisa de um ajuste fiscal. Esse valor, modestíssimo, caracteriza reajuste; não é aumento real. Para o setor produtivo, principalmente o varejo, isto não é bom. O desejável é que as pessoas tenham poder de compra e consumam bastante porque produção e consumo geram riqueza. O lado positivo é o da gestão pública. Isto aponta confiança. Para o conforto do governo, o SM nesse patamar não trará impacto vigoroso nas contas públicas.
  É possível que analistas políticos interpretem o fato como ponto de diferença entre os dois governos. Mas o reajuste do SM passa pelo presidente Lula. A expectativa é sobre a decisão final de Lula sobre o SM, com a edição de uma medida provisória.
  De acordo com o economista-chefe da LCA, Braulino Borges, ao repórter Ricardo Leopoldo, como o mínimo é reajustado pela variação do INPC, um reajuste dos atuais R$ 510 para R$ 545 representaria um aumento real de 0,3%. ‘‘Mesmo que o valor suba para R$ 550, isto significará um aumento acima da inflação de 1,1%, que será bem inferior à média de elevação de 6,3% registrada entre 2004 e 2010’’, comentou Borges. ‘‘Uma alta do mínimo bem maior, como R$ 560, seria negativa ao equilíbrio das contas públicas. Isso subiria de forma expressiva as despesas oficiais, como os vencimentos de servidores e o seguro-desemprego’’, reforçou José Márcio Camargo.
  Na avaliação dos especialistas, será essencial para o governo Dilma Rousseff indicar a agentes econômicos que o mínimo subirá pouco em termos reais em 2011 para indicar que o Poder Executivo vai coordenar as políticas fiscal e monetária. Da harmonia entre a gestão das contas públicas e da taxa básica de juros é que os especialistas esperam que a presidente eleita vai se diferenciar de seu antecessor. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva adotou um modelo econômico baseado em duas forças contrárias: a expansão dos gastos públicos compensada pelo freio da alta da taxa Selic pelo Banco Central. O governo Dilma vai se empenhar para obter um ajuste fiscal substancial no próximo ano, para atenuar o aperto monetário que o BC deverá adotar a partir de janeiro.

mockup