Os indicadores econômicos divulgados ontem continuam apontando para o enfraquecimento da economia brasileira. Menor oferta de emprego no setor industrial, dólar com cotação recorde desde 2009 e saída de divisas maior do que a entrada. A queda no emprego reforça o recuo da produção industrial já apontado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, enquanto que a movimentação dos dólares pode indicar que os investidores têm entendido que a economia brasileira dá sinais de fraqueza. Somada a esse cenário, ainda há a inflação em alta, que afeta diretamente o bolso dos brasileiros.
Por enquanto, o governo não apresentou nenhuma proposta diferente que alavanque a economia. A pauta – adotada nos últimos anos – tem se repetido: desonerações fiscais e tributárias, medidas que ajudam a conter o aumento da inflação e estimulam o consumo. No entanto, essas iniciativas dão sinais de esgotamento e apontam para a necessidade de uma proposta mais consistente, decisão que parece estar longe. Cortes nos gastos públicos e investimentos pesados na infraestrutura do País – salvo algumas iniciativas isoladas – não têm entrado nos discursos das autoridades.
Embora não tenha sido incluída na pauta de reivindicações dos manifestantes, a condução da política econômica reflete diretamente na insatisfação dos brasileiros. O "gancho" da redução da oferta de empregos e dos direitos dos trabalhadores também foi aproveitado e será tema de protesto marcado para hoje pelos sindicatos. Fim do fator previdenciário e das terceirizações, além da redução da jornada de trabalho, são alguns dos itens que foram apresentados durante essa semana pela FOLHA. Embora válidos os pedidos, também é preciso cuidado para não onerar ainda mais a cadeia produtiva. Se a reforma tributária – item que não foi discutido pelo governo federal – fosse discutida mais seriamente e profundamente, muitos dos problemas seriam resolvidos.

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