O pacote de estímulos à economia, anunciado nesta semana pelo Banco Central (BC), pode ser um estímulo ao endividamento das famílias. Ainda que lançado para fomentar a venda de veículos e motocicletas, setores cujos movimentos despencaram neste ano, o modelo de estimular o crescimento econômico por meio do consumo dá sinais de esgotamento há algum tempo.
Além disso, vem em um momento em que a economia está estagnada e que a inflação está batendo o teto da meta estipulada pelo próprio BC, o que diminui o poder de compra dos trabalhadores.
Além disso, parece uma tentativa de o governo mostrar ao empresariado que tem se esforçado para combater a crise econômica. No entanto, este momento é de espera. Quem precisa fazer investimentos está aguardando o resultado das eleições, uma vez que o cenário eleitoral é nebuloso. A tragédia que matou o presidenciável Eduardo Campos (PSB) embaralhou a disputa.
Outro fator que também deve ser considerado é a falta de credibilidade do atual governo junto a alguns setores da economia. A avaliação é que a gestão não conseguiu promover um desenvolvimento sustentável até porque a maioria dos indicadores econômicos não aponta para a aceleração da economia.
Além disso, há a preocupação com o câmbio sobrevalorizado, que torna produtos importados mais atrativos que os nacionais. E ainda deve-se incluir outros itens que tiram a competitividade da indústria nacional, como a falta de capacitação e produtividade dos trabalhadores, o alto custo dos insumos e a infraestrutura logística deficitária. Se há vários anos toda a sociedade brasileira tem discutido esses assuntos e, por enquanto, pouco (ou quase nada) foi feito, não será a pouco mais de um mês das eleições que o tema será resolvido. A opinião pública deve cobrar medidas concretas que tenham foco na recuperação econômica. Do contrário, a "recessão técnica", definida no final do mês passado, só irá se agravar.

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