Economia de tostão e panelas de merenda vazias
Enquanto a onerosa máquina pública se locupleta com altos salários, com assessores de baixa serventia, com gastos operacionais sem conta - que poderiam ser cortados pela metade - em Londrina são demitidas merendeiras temporárias e auxiliares de limpeza de escolas estaduais, e assim milhares de alunos ficaram sem merenda e com as cozinhas e banheiros sujos. Isto é que se chama racionalidade no uso do dinheiro público! Faz lembrar certas instituições e empresas que, quando fazem um planejamento de redução de pessoal, os primeiros que demitem são office-boys e mulheres do cafezinho.
O trabalho dessas pessoas nas escolas deveria ser considerado essencial. Pena que no entender dos burocratas seus custos podem desestabilizar a economia do Estado. Então acabam de ser afastadas. Ninguém atentou que a ausência desses serviçais ia resultar na óbvia falta de comida da merenda e no acúmulo de sujeira.
O Núcleo Regional da Educação não deu prazo para resolver o problema, porque deve considerá-lo irrelevante, e também não forneceu a este Jornal mais informações solicitadas, sobre o caso. A despensa está repleta de alimentos mas falta gente para cozinhá-los. Não há como ter condescendência ante uma tal atitude - a de despedir temporários aleatoriamente - porque era previsível que ocorreria um caos nos estabelecimentos escolares afetados, todos da Zona Norte, que é a mais carente. Há aí duas implicações: deixar crianças sem merenda escolar e a falta de planificação, pelo conhecimento antecipado de que a retirada de merendeiras iria resultar na falta de merenda. Numa das escolas os próprios alunos foram conscientizados a não sujar ainda mais o ambiente externo. Mas de barriga vazia.
A questão é que, se houve necessidade de contratar pessoal temporário, é porque falta gente, e suprir essa necessidade é dever do Estado, por via daquele Núcleo e que precisa dar informação prévia aos superiores. Acredita-se que o governador Roberto Requião (que ontem esteve em Londrina e deve ter sido informado do caso, denunciado por este Jornal), já deve ter dado um puxão de orelhas em quem fez tudo isso sem nada avisar. A situação é de indignação, porque se aconteceu uma vez pode acontecer outras mais quando se está à mercê dos regimes burocráticos, um dos mais terríveis entraves das administrações públicas. O que se espera é que, quando este Editorial estiver sendo lido pelas autoridades e pelo público, o problema já tenha sido solucionado.





