ECONOMIA COM SAÚDE - Genéricos representam 16% do mercado brasileiro
PUBLICAÇÃO
domingo, 08 de fevereiro de 2009
Paula Costa Bonini<br>Reportagem Local 
Com o objetivo de oferecer à população medicamentos de qualidade e com preços reduzidos, em 1999 a medicação genérica foi instituída no Brasil. Passados dez anos, as pessoas estão usando cada vez mais esse tipo de remédio, graças à eficácia comprovada e aos testes que garantem a segura substituição do medicamento de referência pelo genérico, que é administrado com a mesma indicação terapêutica e comercializado pelo nome do princípio ativo.
Tanto a procura quanto a demanda pelos genéricos aumentaram no país. De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), cerca de 16% dos remédios comercializados são genéricos. Para comentar esse índice e discutir sobre a aceitação no mercado, a FOLHA conversou com Fabrício Oliveira, responsável pela área de medicamentos genéricos da Anvisa. Para ele, além de fortalecer a indústria nacional, os genéricos aumentam o acesso da população aos medicamentos.
O medicamento genérico foi bem aceito pela população?
O mercado de genéricos corresponde atualmente a cerca de 16% do total de medicamentos comercializados no país. Esse número revela uma boa aceitação da população, levando em consideração que os genéricos estão no mercado há apenas 10 anos. Em outros países, como nos Estados Unidos, onde os genéricos respondem por 50% do mercado, esses produtos já estão disponíveis há 40 anos. A aceitação também se reflete no número de pedidos de registro de medicamentos genéricos no país que, desde a sua implantação, vem aumentando consideravelmente. Em 2003, por exemplo, tínhamos 807 medicamentos genéricos registrados e hoje já são mais de 2.600.
Ainda existe um certo receio das pessoas?
Não há motivos para receio. Os medicamentos genéricos possuem a qualidade, eficácia e segurança assegurados. A única diferença é que eles não fazem investimentos em pesquisas (por ''copiarem'' fórmulas já existentes) e em marketing, pois não há marca a ser divulgada e, por isso, são mais baratos. Já os medicamentos de referência (de marca) fazem investimentos pesados em publicidade e esse pode ser um dos motivos para serem mais conhecidos entre a população.
Os médicos já indicam o medicamento genérico aos pacientes? Como deve ser a prescrição?
Nos serviços públicos de saúde (SUS), os profissionais têm a obrigação de prescrever os medicamentos pelo nome oficial do princípio ativo. Nos serviços privados, a prescrição fica a critério do médico responsável, podendo ser realizada sob nome genérico ou comercial. De acordo com a resolução 135/03, o farmacêutico pode substituir o medicamento de referência prescrito exclusivamente pelo genérico correspondente e, neste caso, deve por seu carimbo, constando nome, inscrição no CRF (Conselho Regional de Farmácia), data e assinatura. Caso o prescritor tenha ressalvas quanto à substituição de medicamentos, deve explicitá-las na própria prescrição, de próprio punho, de forma clara, legível e inequívoca.
Além do preço, quais as vantagens desse tipo de remédio?
Ter qualidade atestada pela Anvisa, comprovada através da realização de testes de equivalência farmacêutica e bioequivalência, e ter, comprovadamente, menor custo que o medicamento de referência correspondente. Além disso, a entrada dos genéricos no mercado acarreta a redução dos preços dos medicamentos de referência, devido à concorrência, contribui para o aumento do acesso aos medicamentos e fortalece a indústria nacional.
É preciso tomar cuidados com os genéricos?
Os cuidados que devem ser tomados com os genéricos são os mesmos que devem ser observados com todos os outros medicamentos, tais como: não usar medicamentos sem prescrição médica (exceto os de venda livre), comprar em estabelecimentos autorizados pela Anvisa, pedir a nota fiscal e observar prazo de validade, embalagem e a tinta reativa (tinta branca impressa na embalagem que, ao ser raspada com objeto metálico, revela símbolo do fabricante).
Quais são as novidades no mercado de genéricos?
Uma novidade é a grande quantidade de classes terapêuticas que possuem genéricos. No último dia 26, por exemplo, foi aprovada a fabricação, no Brasil, do primeiro genérico de um medicamento anti-Aids. Em 2007 também surgiram os primeiros anticoncepcionais orais genéricos. À medida que as patentes de medicamentos vão expirando, novas categorias de medicamentos genéricos estão surgindo.
Serviço:
Informações sobre genéricos e a lista dos remédios que possuem registro no www.anvisa.gov.br.


