'É uma falha de caráter do aluno'
É tarefa difícil descobrir que uma monografia foi comprada, a não ser que o estudante confesse a artimanha. Em muitos casos, toma-se conhecimento de que o trabalho não foi feito pelo acadêmico pelo texto do mesmo, e até pelo seu desempenho como aluno no decorrer dos anos de faculdade. ''No contato semanal com o orientador, o aluno que não tem nada a esconder vai se colocando no trabalho, e o que está comprando uma monografia dificilmente consegue corresponder aos anseios e exigências do seu orientador, e o professor percebe isso'', ressalta Flavia Frutos, coordenadora do curso de Marketing da Unopar.
As punições ao acadêmico flagrado são severas. Se ele não estiver a par do tema que está defendendo na banca, ou mesmo antes da apresentação entregar um material que levante suspeita, a reprovação é imediata. ''Você sente que o aluno não está preparado na banca. É ali que você o aperta e percebe que ele não está por dentro de tudo aquilo que escreveu. Por mais que essas pessoas que vendem monografias instruam esses alunos, existem conhecimentos paralelos que ele precisa ter para desenvolver o trabalho. É quando ele mostra que não tem esse conhecimento'', explica Vanya Spagolla, coordenadora de TCC do curso de Direito da Unopar.
O pró-reitor de graduação da Universidade Estadual de Londrina (UEL), professor Ludoviko dos Santos, confirma a existência do golpe das monografias, mas disse que não tem como precisar um número de tentativas ocorridas na instituição. ''Na UEL, se descobrirmos que o trabalho é comprado, nem chega à banca examinadora. Os professores têm uma experiência com relação ao texto produzido pelo aluno e, quando esse texto não corresponde, ele já sabe como proceder. Quando isso acontece, o aluno acaba perdendo o ano. Ele nem recorre porque sabe que não tem razão.''
Alunos bons dificilmente apelam para essa prática. Já para os que optam por comprar uma monografia, além de prolongar meses de estudo em regime de dependência, podem sofrer ainda outras consequências. ''É uma falha de caráter grave do aluno, e isso ele leva para sua vida profissional. Ninguém deve contratar uma pessoa com uma falha de conduta desse porte'', disse Ludoviko.
Idêntica opinião tem Flavia Frutos, que completa: ''A integridade do aluno fica ferida. É um sentimento de insatisfação com ele mesmo, uma sensação de baixa autoestima. Se ele não aprendeu a fazer uma pesquisa, não consegue desenvolver sua atualização profissional.'' (E.S.)





