Quando Lula afirmou recentemente na Argentina que a relação com os países latino-americanos merecerá uma atenção especial do novo governo, o presidente eleito elucidou com clareza quem serão os nossos parceiros preferenciais. O Governo Lula vai trabalhar pela integração macroeconômica como estratégia para fortalecer o Mercosul. O ex-presidente dos EUA, Richard Nixon, disse certa vez que ''para onde o Brasil fosse, a América Latina iria atrás''. A frase foi dita nos anos 60 e hoje podemos pô-la em prática. E isso com a liderança de Lula, que poderá levar a América latina a um tempo de solidariedade e de aprofundamento das relações. É um tempo de afirmação da soberania.
O Governo Lula assume o Brasil num momento ímpar, com uma expectativa enorme, um desafio enorme de manter a estabilidade econômica, com a inflação em alta, combater a fome, a violência, entre outros pontos e trabalhar para fazer no Brasil as mudanças estruturais necessárias, fazer a economia crescer, gerar empregos e se desenvolver. O primeiro aspecto da herança negativa do atual governo se refere aos mecanismos de gestão que deixaram de existir. Reconstruir a capacidade de planejamento e coordenação do governo, nas várias áreas, será um desafio importante para criar condições de eficácia governamental. Junto com esses organismos devem ser construídos também, instrumentos de avaliação de resultados.
O segundo aspecto de problemas a serem enfrentadas se refere a um conjunto de reformas que não foram feitas. Destaque-se a reforma da Previdência Social, a reforma Tributária e a reforma Política. A reforma da Previdência é decisiva para arrumar as contas públicas, devido ao alto déficit anual que ela proporciona. A reforma Tributária é importante para desonerar a produção, equacionar problemas relativos ao pacto federativo e dimensionar um sistema tributário mais justo. A reforma Política deve ter como objetivo a criação de um sistema político e eleitoral mais eficaz, aperfeiçoando os mecanismos de participação e de representação da sociedade e deve ser permeado por alguns pontos imprescindíveis, como a fidelidade partidária, financiamentos públicos da campanha eleitoral, voto distrital misto, entre outros.
O terceiro problema que será herdado é o da dilaceração social. Além de agir por meio de políticas sociais, como o programa de Combate a Fome, o novo governo terá o desafio de criar milhões de empregos. Isto só se consegue com desenvolvimento e crescimento econômico. O baixo crescimento verificado na última década implicará que o Governo Lula deverá desenvolver esforços extraordinários para criar empregos. Em síntese, os desafios do emprego e do desenvolvimento são um só. O Orçamento para 2003, contempla apenas R$ 6 bilhões em investimento. É o mais apertado dos últimos oito anos, sendo previsto ainda uma queda nas receitas e aumento nas despesas obrigatórias.
O quarto grande desafio é a elaboração de um projeto de transição que devem ser implementados em 2003, para começar a colher os primeiros frutos em 2004, que é o da superação do modelo econômico dependente ao mercado financeiro internacional vigente, para um novo modelo voltado para o interesse do país e que no cerne da questão estejam explicitadas as palavras ''soberania nacional.''
LUIZ YOSHIO SUZUKE é professor e prefeito de Medianeira.

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