Por estar compreendido na microrregião de Mato Grosso do Sul, Estado onde ocorreram surtos de febre aftosa no gado há dois anos, o Paraná até agora paga amargo preço, porque ainda sofre embargo para exportar carne bovina para os principais mercados. Só lhe sobraram mercados marginais, que compram em pequena quantidade e carnes menos nobres. Os prejuízos somam US$ 621 milhões, segundo o Sindicato da Indústria de Carnes do Paraná, mais a diminuição, pela metade, da atividade dos frigoríficos, o desemprego de 2 mil pessoas e um certo desencanto dos pecuaristas.
Não faltam os que criticam a ausência de ação mais efetiva das autoridades brasileiras, apontando para a Argentina, também atingida por focos de aftosa e já liberada para exportação de carnes, e a Inglaterra. O prejuízo com o sacrifício de 6 mil bovinos no Paraná é também um capítulo não encerrado, porque os pecuaristas que tiveram gado abatido como medida preventiva afirmam que não foram indenizados por inteiro, considerando o preço de mercado da arroba, na época (receberam R$ 48 quando o preço estava em R$ 53).
Muita coisa conspira contra a pecuária paranaenses, como o alto preço dos insumos e a ausência de chuva, que prejudica a pastagem. Fala-se que a liberação das exportações, pela Organização Mundial de Saúde Animal, ocorreria a partir do início do próximo ano, mas não há nisso nenhuma garantia. O ponto positivo é que a exportação de aves está batendo recordes e também está crescendo a venda externa de carne suína.
A dura realidade é que a carne bovina perdeu mercado e ainda atravessa a fase das ''vacas magras'', rememorando o episódio histórico da praga do Egito. Terá sido este um período de advertência aos pecuaristas do Paraná e uma conclamação à união em torno das defesas sanitárias. No ano passado foi criada a Associação Nacional dos Produtores Bovinos de Carnes, como consequência do abalo sofrido. A luta agora é para a retomada das exportações e para que a pecuária bovina se recomponha e o ânimo se reinstale. Será preciso também muita chuva, para que a pastagem cresça abundante e o gado tenha com que alimentar-se, tanto o de corte como o leiteiro.
A verdade é que o produtor rural e o pecuarista vivem sempre na corda bamba, fazendo uma incrível ginástica para manter o equilíbrio, porque quando não são as frustrações de safras são os preços baixos, o sempre elevado custo de produção e fatores inesperados como - no caso da pecuária - um vendaval como a aftosa e suas consequências, nestes últimos dois anos. Não fosse a garra do produtor e as poucas opções que lhe restam fora do que sabe fazer bem, que é a lida do campo, ele já teria abandonado tudo.

mockup