É o que se conclui da leitura de uma reportagem desta FOLHA sobre os gargalos que podem impedir o aumento da produção previsto para este ano. Diante da perspectiva de crescimento, tanto da produção primária como da industrial, este jornal foi ver se o Paraná tem infraestrutura de transporte e estocagem suficiente para dar suporte a esse crescimento. O resultado justifica a preocupação dos agentes econômicos.

Deficiências na logística do escoamento colocam o abastecimento e a exportação numa condição vulnerável. Para citar apenas um item, o do transporte, o único setor que dá fluxo rápido ao embarque é o rodoviário, mesmo assim, com um custo proibitivo. Exemplo: uma carreta deixa cerca de R$ 40,00 em cada uma das muitas praças de pedágio entre as regiões produtoras do Interior e o Porto de Paranaguá, onde enfrenta outros tipos de dificuldade.

Entre Maringá e o cais do Porto, o pedágio não sai por menos de R$ 400,00. Não adianta dizer que o custo é repassado. Na mais suave das consequências este custo rouba a competitividade do produto nacional. Que, ao contrário do que afirma um dos entrevistados, o representante da Ocepar, a competitividade do produto paranaense não é ''do porto para fora''. De modo algum. O jogo da competitividade é ganho da porteira da fazenda para dentro, ou seja, a gestão do produtor é que confere eficiência. Para depois o custo Brasil - incluindo o pedágio - abocanhar e neutralizar o esforço do produtor.

Menos de 10% das rodovias do Paraná contam com pistas duplas, diz a Confederação da Agricultura (CNA). Mas as deficiências vão além do item rodoviário. As ferrovias - que deveriam ser fator de redução de custo - deixam muito a desejar. A impressão é que estamos no tempo da ''Maria Fumaça'' e da bitola estreita. Estreita também é a visão dos últimos governos. Todos eles acham (nos outros Estados também é assim) que investir na infraestrutura industrial é apoiar o setor rico da sociedade. Tem preconceito contra a livre iniciativa. Esquecem-se que são setores geradores de emprego e renda. E recolhem muitos impostos que não retornam, na devida proporção, nem forma de desenvolvimento nem progresso social.

mockup