Na última segunda-feira, determinamos à Polícia Federal que abrisse inquérito para investigar denúncias de pagamento de propina a funcionários do Banco Central em troca de informações privilegiadas aos bancos Marka e FonteCindam. Em sua qualidade de guardião da moeda e fiscal da lisura das operações financeiras, não pode o Banco Central ver-se, a todo momento, encoberto por uma névoa de suspeita e desconfiança.
A Polícia Federal, que tem prazo de 30 dias para apresentar relatório conclusivo, já ouviu três dos envolvidos. Quanto ao principal personagem do caso, Salvatore Cacciola, do Marka, seu depoimento será fundamental para estabelecer se houve ou não tráfico de informações. Se estiver mentindo, será processado e, mesmo que se recuse a cooperar, a polícia continuará investigando até eliminar a sombra que paira sobre a questão.
Paralelamente, o Ministério Público Federal designou procuradores para acompanhar o caso. A PF obteve, também, ordem judicial para quebra do sigilo telefônico e bancário de todos os envolvidos. As diligências prosseguirão com a tomada de depoimentos de atuais e antigos diretores do Banco Central ao tempo dos episódios noticiados.
Se for comprovada a participação de qualquer servidor público, ele será demitido sumariamente, caso esteja no cargo, e, em qualquer hipótese, pagará pelos seus crimes. A sociedade e o governo não toleram mais as frequentes insinuações sobre relações promíscuas entre funcionários do Banco Central e empresários do setor financeiro. O Banco Central é do Brasil. É o guardião da moeda e sua transparência é vital para o País, e a melhor maneira de acabar com as dúvidas é apurar até o fim. Dessa forma, a investigação só conhece um limite: a lei.
Finalmente, visitamos os membros da CPI dos Bancos, no Senado, informando-lhes da designação de um representante da Polícia Federal, que auxiliará os senadores em seus levantamentos e diligências. Os esforços do Ministério da Justiça, da Procuradoria-Geral da República e da CPI são convergentes, reforçando-se mutuamente. E se qualquer crime for comprovado, alguém vai mudar de banco: irá direto para o banco dos réus.
- RENAN CALHEIROS é ministro da Justiça

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