A pandemia do novo coronavírus desencadeou uma crise econômica mundial que cresce à medida em que a doença causada pelo vírus avança fora da Ásia e Europa.

Existe uma preocupação em comum entre todos os chefes de estado: como limitar o impacto econômico cruel que a Covid-19 vai causar nas empresas e famílias de trabalhadores? Como os gestores públicos podem acelerar a economia se ninguém sabe ao certo quando a pandemia vai terminar?

Bolsas em queda livre, desemprego em alta, fronteiras fechadas, restrição de circulação e países e municípios decretando estado de emergência. No Brasil, o governo federal anunciou que vai apostar no reforço às obras públicas para reaquecer a economia.

A condução de um plano nesse sentido foi delegada pelo presidente Jair Bolsonaro ao ministro da Casa Civil, Walter Braga Netto. É uma tentativa de evitar a escalada do desemprego no Brasil. O projeto foi batizado de "Plano Marshall", em referência ao programa dos EUA de recuperação de países aliados após a Segunda Guerra Mundial. A intenção do presidente é que o programa dure pelo menos três anos.

A proposta, entretanto, enfrenta resistência do Ministério da Economia, sob comando de Paulo Guedes. Só no âmbito do Ministério da Infraestrutura, a projeção é que o pacote custe cerca de R$ 30 bilhões em investimentos públicos para a retomada de cerca de 70 obras que estão paralisadas ou sendo tocadas abaixo da sua capacidade total. Entre elas, estão rodovias, ferrovias e terminais portuários.

O Plano Marshall está em elaboração no Palácio do Planalto e encontra forte apoio do núcleo militar do governo. No Ministério da Infraestrutura, a ideia é que as obras possam absorver entre 500 mil e 1 milhão de empregados nos próximos três anos.

No Ministério do Desenvolvimento Regional, foi feito um diagnóstico de empreendimentos em habitação e saneamento que podem ser rapidamente ativados, além de obras em barragens. Uma das saídas será financiar obras do Minha Casa, Minha Vida totalmente com recursos do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço).

Há o plano de concessões para a iniciativa privada, mas o governo tem claro que ela não pode ser a única solução a curto prazo e que a União precisará entrar com recursos para ajudar a alavancar mais rápido a criação de empregos.

Ainda é um plano em discussão. Mesmo que o ministro Paulo Guedes não concorde, parece ser consenso no Planalto que a aceleração nas obras públicas e outras medidas como crédito barato e novas concessões à iniciativa privada sejam o remédio mais rápido e eficaz contra o desemprego e o enfraquecimento da economia durante e pós-pandemia.

Urgente trabalhar soluções pós-pandemia. E um programa utilizado para reerguer as nações aliadas após a Segunda Guerra certamente terá boas lições a dar a um país que vai precisar de um plano de guerra para reestruturar a sua economia.

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