Os Ministérios do Desenvolvimento e do Turismo gastaram R$ 4 milhões para produzir um símbolo propagandístico do País a marca Brasil como este jornal mostrou ontem, mas começam pelo secundário quando deveriam atentar para o principal. Porque não será apenas em função dessa marca que investidores, compradores e turistas serão atraídos a optar pelo Brasil e seus produtos e serviços. Será preciso, antes, produzir com qualidade tudo o que se desejar exportar, e isto ocorre apenas em alguns setores, basicamente matérias-primas, que não exigem elaboração. Dekasseguis informam que muitos produtos brasileiros, vendidos no Japão, não contêm tudo o que a embalagem apregoa, e baseiam-se no que as instituições fiscalizadoras daquele país revelam. Mesmo produtos a granel, como a soja, já enfrentaram rejeição na China, pela mistura com transgênicos. A carne bovina, que é de excelente qualidade, sofreu restrições na Rússia, porque o governo brasileiro não cuidou de explicar o caso da febre aftosa ocorrida isoladamente no norte do País e fora da área produtora de exportação. Houve um impasse, prejudicial à economia e à imagem do produto e que poderia ter sido evitado. Primeiro será necessário melhorar a qualidade do que se produz para depois assentar vistosas marcas, porque não é a embalagem (a marca aí incluída) que fará um produto ser aceito pelo exigente mercado internacional, mas o conteúdo e as comprovações de garantia. A marca Brasil, segundo os ministros Luiz Furlan e Walfrido Mares Guia, servirá também para incentivar a vinda de mais turistas. Certo que a marca ajudará, mas antes será preciso implantar melhor infra-estrutura para recebê-los bem, de forma a que recomendem o Brasil e que eles próprios retornem. Está dito que os recursos naturais do Brasil são os que mais atraem os estrangeiros, mas quem vai ao Amazonas sabe que o serviço de locomoção e de estada dos turistas ao longo do rio e dos igarapés é rudimentar e insegura. Não há lugar, nos percursos, para os visitantes se alimentarem, a não ser os poucos higiênicos atendimentos de beira-rio. Se Manaus tem um moderno aeroporto e bons hotéis, falta a infra-estrutura de visitação ao grande rio e à floresta. Não há pontos de descida no âmago da mata, e isto poderia existir, sem dano ao meio-ambiente. A incoerência é que o governo deixa que a Amazônia seja depredada pelo desmatamento, pela pirataria alienígena e por todas as formas de invasão, mas não permite a instalação de caminhos pavimentados em pontos da mata, assim como de estrutura de serviços pertinente. Turista quer disponibilizações e conforto, e mesmo os aventureiros precisam de apoio logístico. Nas cidades litorâneas os assaltos amedrontam os turistas, e não há ação policial que os iniba. Os restaurantes da orla, de sul a norte, deixam a desejar em qualidade (a não ser nos hotéis de elevado padrão, mas estes não são para toda a gama de turistas), embora as exóticas e excelentes comidas. Colocar um selo de Brasil sobre produtos e sobre propaganda de serviços turísticos não melhorará nada se não se produzir coisas comprovadamente boas (e não se nega que elas já existem em muitas áreas e em boa quantidade) e não se equipar melhor este país para receber não milhares, mas milhões de turistas, face a tão singulares belezas de que o Brasil é dotado.

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