É preciso começar
Apenas um dos municípios mais pobres do Paraná foi contemplado pelo Programa Mais Médicos. Cerro Azul, na Região Metropolitana de Curitiba, passou a contar com um novo servidor graduado em medicina e que se inscreveu no Ministério da Saúde (MS) com interesse naquela localidade. Outros nove municípios com pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Estado não tiveram a mesma sorte. Ainda não foi nesta fase que as unidades públicas de saúde de Doutor Ulysses, Laranjal, Guaraqueçaba, Inácio Martins, Coronel Domingos Soares, Diamante do Sul, Ortigueira, Santa Maria do Oeste e Tunas do Paraná ganharão um reforço desse profissional, em extinção no interior do Brasil.
O Programa Mais Médicos foi criado pelo governo federal para levar profissionais de medicina para as regiões carentes do País. Somente no Paraná, 286 municípios solicitaram 969 médicos ao programa. Até a última quinta-feira, apenas 26 profissionais homologaram sua vaga. Por outro lado, as cidades maiores, como Curitiba e Londrina, foram contempladas. Quem faz a opção pelo destino em que vai morar é o próprio médico. Mas segundo o MS, todas as regiões atendidas são prioritárias, incluindo as capitais e as regiões metropolitanas que tenham unidades de saúde da periferia em que faltem médicos, municípios do interior com carência desse trabalhador, cidades nas regiões de fronteiras e na região amazônica com populações indígenas e rurais.
Como era previsto desde o início do programa, caso as vagas não sejam preenchidas pelos médicos brasileiros, profissionais estrangeiros serão convidados a ocupar os lugares. É o caso dos cubanos, que já começaram a se instalar no País, causando indignação para alguns, trazendo tranquilidade para outros.
O baixo interesse que o programa despertou entre os médicos brasileiros é uma demonstração da grande dificuldade que os pequenos e carentes municípios encontram para contratar esse servidor. Segundo o ministério, alguns médicos desistiram porque esperavam negociar a redução da jornada de trabalho de 40 horas semanais (salário de R$ 10 mil).
O Programa Mais Médicos não vai resolver o grave problema da saúde pública brasileira. Porém, para a população pobre e sofredora, seria um bom começo chegar a um posto de saúde e ser atendida por um médico. É enorme o espaço que separa a população menos favorecida dos integrantes das classes A,B e parte da C, com seus planos de saúde e atendimentos particulares. O Sistema Único de Saúde (SUS) precisa de mais investimentos e menos escândalos de corrupção. Assim como necessita de bom gerenciamento e profissionais engajados em prestar atendimento básico de qualidade.





