"Fazer a coisa certa, pelos motivos certos e do jeito certo será nosso lema." A frase, bastante compartilhada nas redes sociais, foi proferida nesta quarta (2) pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, quando tomou posse da pasta em Brasília.

Muitos brasileiros se inspiram na figura firme do ex-juiz da Lava Jato, exemplo no Brasil de postura forte anti-corrupção. Elas têm esperança que no governo de Jair Bolsonaro, Moro consiga aprovar no Congresso e tocar projetos que diminuam o crime de corrupção, um dos grandes problemas do País. O cidadão reconhece em atividades como suborno, desvio de verba pública, lavagem de dinheiro e outras ações do gênero como um dos grandes males da sociedade, visto como causador da crise econômica.

Provavelmente, nenhum outro Réveillon teve o tema corrupção sendo discutido por tantas pessoas, pois o debate sobre ética chegou ao almoço de Ano Novo. Os brasileiros se identificaram muito com a frase do ministro, mas muita gente esquece que não existe apenas a corrupção ou má conduta apenas entre os políticos. Não deveria ser difícil trazer para o cotidiano o pronunciamento do ex-juiz sobre "fazer a coisa certa". O problema é que os delitos estão mais presentes na vida do brasileiro do que se pode imaginar.

Exemplos do feriadão não faltam. Quantas pessoas dirigiram após consumirem bebida alcoólica? Ou desrespeitaram limites de velocidade na viagem de volta para casa? Praias de vários cantos do País amanheceram lotadas de lixo no primeiro dia do ano. E em Londrina, a lei que proíbe fogos de artifício com barulho foi claramente desobedecida. Tanto que a prefeitura recebeu 700 denúncias e até a tarde ontem havia feito 93 autuações. Lembrando ainda daqueles "jeitinhos" famosos: falsificar carteira de estudante, roubar sinal de TV a cabo, colar na prova, bater ponto pelo colega de trabalho, apresentar atestado falso, entre outros.

É incoerente inconformar-se com a corrupção no poder público e praticar infrações no dia a dia. Há uma grande expectativa com o novo governo, mas mudar o Brasil implica que o cidadão também mude e comece a "fazer a coisa certa, pelos motivos certos e do jeito certo".

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