Se quisermos fortalecer a nossa democracia, depurar as instituições e moralizar o meio político, temos que agir com maior rigor contra os agentes públicos desonestos que se apoderam do poder e destituir os incapacitados que atrasam o nosso desenvolvimento. De igual forma que outorgamos-lhes um mandato, temos que apeá-los do poder quando comprovadamente forem corruptos ou incompetentes.
Londrina é um exemplo de que isso é possível. Já houve até um avanço nesse sentido: na primeira cassação de prefeito demorou-se quase três gestões para as providências. Na segunda, também com o prestimoso trabalho do Ministério Público, em apenas três anos de mandato nos convencemos que a gestão não se sustentava mais, tamanha as evidências e provas de irregularidades. Porém, com relação à Câmara Municipal não houve o mesmo aprimoramento. Pelo menos três vereadores da atual legislatura deveriam ter sido cassados pelas graves denúncias das quais foram alvos.
No âmbito estadual faltou coragem aos vereadores de Curitiba para cassar o presidente da Casa, João Cláudio Derosso. Foi preciso o Judiciário tomar essa medida. E no plano federal, alguns exemplos dessa maléfica condescendência: vergonhosamente absolveram Jaqueline Roriz, Renan Calheiros e o ficha suja Jader Barbalho, entre tantos outros. Até o impeachment do ex-presidente Lula, se fosse proposto por ocasião da descoberta do mensalão não seria injusto.
É preciso que exerçamos a nossa cidadania e, com o envolvimento das lideranças da sociedade organizada, temos que atingir o âmago do nefasto corporativismo existente em todas as instâncias dos poderes da República. Não se pode permitir que os desonestos continuem intocáveis no poder. Infelizmente, a imagem do nosso país é péssima. Somos considerados um dos mais corruptos do mundo. Por isso, com convicção e responsabilidade, vamos cassar mais.
LUDINEI PICELLI é administrador de empresas em Londrina



Ateus e consciência moral
''São muitos os ateus, mas eles não conseguem explicar a natureza de si mesmos e o mistério da criação de todas as coisas!''. Foi o que escrevi no artigo anterior. Um leitor indaga: ''E como explicar que muitos ateus possuem uma consciência moral evoluída, maior que a de muitos que se dizem religiosos?''. A explicação é que a moralidade, se existente num ateu (ou em qualquer crente), é emanação de uma fonte superior, creia ele ou não. Porque a moralidade no homem é um atributo que tem origem na moralidade de Deus.
Não tratei aqui de valores entre um ateu e um religioso, nem dos padrões morais que cada qual possua. Falei apenas de crença ou descrença em Deus. Contrapondo-me à posição de Carl Jung de que Deus é imaginação do homem, por isso em tal condição Ele existe dentro dessa mente, escrevi: ''Mas quem criou esse homem dotado de consciência capaz de sentir Deus em si?''. Cabe aqui fazer a mesma indagação sobre um ateu possuidor de consciência moral evoluída: Quem criou esse virtuoso ateu?
Um homem de religião genuína - no sentido de religação com sua origem primeira, que se traduz pela convicção na sua filiação a Deus - é certamente um homem de moral, mas, de fato, não se pode afirmar com segurança que todos os fiéis eclesiais o sejam. Sem dúvida que uma elevada consciência moral é efluência de Deus no homem. Ninguém deixará de sobreviver à morte física por acreditar que tudo começa e se acaba nesta vida. Mas se o homem não tem uma meta em sua marcha evolucionária - aqui e na continuidade - significa que não acredita num ponto culminante a alcançar, e esse ponto é chegar a Deus. Assim, sua trajetória poderá estancar, a menos que um lampejo de claridade venha a iluminá-lo, porque sem crer que lhe é reservado um luminoso destino ele não chegará a lugar nenhum.
Certo é que uma elevada moral e uma vida reta guiada pelo espírito de solidariedade são grandes atributos, mas precisam estar libertos do apego à materialidade. Um ateu, virtuoso que seja, é essencialmente um materialista. A crença na existência de um poder supremo e em nossa vinculação a ele pela ''consanguinidade'' traduz-se pela fé. Sem essa fé estacionamos na caminhada de ascensão e nossa chama divina irá se extinguindo.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

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