É preciso adotar uma cultura de prevenção
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quinta-feira, 30 de janeiro de 2020
Folha de Londrina 
Todo o mês de janeiro as histórias envolvendo desastres naturais se repetem. As chuvas típicas do verão vêm se transformando ano a ano em tempestades traduzidas em tragédias. Minas Gerais é o retrato da destruição e do caos causado por uma sequência de chuvas intensas.
Até o início da noite desta quarta (29), apenas Minas Gerais registrava 54 mortes e mais de 28,9 mil pessoas desalojadas ou desabrigadas em decorrência dos temporais.
Em tragédias como essa, as mais afetadas são as famílias que moram em áreas de deslizamento de terra e de ocupação descontrolada. Mas a tragédia atinge também áreas urbanizadas regularmente. No final das contas, todo mundo é atingido.
Como não é um fenômeno recente, obviamente não se conseguirá resolver a curto prazo. É necessária uma abordagem contínua e um trabalho integrado que envolva todas as esferas do poder público. Não adianta agir apenas no período chuvoso.
Recursos e projetos para prevenir desastres naturais precisam ser priorizados. Infelizmente, o governo federal usou menos de um terço dos recursos previstos no Orçamento para prevenção de desastres naturais durante o ano passado.
Com isso, o gasto com obras estruturantes e projetos de contenção de inundações atingiu o menor patamar em 11 anos, conforme apontou levantamento feito pela Folhapress com dados de execução orçamentária.
A verba para ações de prevenção de desastres naturais em 2019 era de R$ 306,2 milhões, valor bastante inferior ao patamar de anos anteriores. Em 2012, o montante equivalia a R$ 4,2 bilhões em valores corrigidos pela inflação. Do total reservado para 2019, só R$ 99 milhões foram liquidados (quando há execução do serviço contratado).
A responsabilidade não é apenas do governo federal. Segundo o Ministério do Desenvolvimento Regional, responsável pelas verbas de prevenção a desastres, a execução dos empreendimentos é de responsabilidade dos estados e municípios, sendo que a liberação dos recursos ocorre de acordo com a evolução das obras.
Não é possível mudar a temporada de chuva. Mas é possível diminuir os riscos com prevenção e construção de galerias, criação de mais áreas verdes, investimento em construção de habitações populares, equipar centros de monitoramento e tecnologia, entre outros.
Mas um aspecto não pode ser esquecido: o investimento em educação e informação para que as pessoas tenham consciência do risco que correm quando constroem suas casas em áreas de risco e despejam lixo em locais inadequados. E também para que população saiba como agir em casos de emergência. É preciso adotar uma cultura de prevenção.
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