O anúncio de que Londrina não disputará a Liga Futsal em 2013 e de que sequer terá uma equipe adulta para representá-la, exige uma reflexão sobre o nosso atual momento de revelação de jogadores para a categoria principal.
Antes de tudo preciso me reportar às décadas de 1950, 60 e 70, quando ficamos conhecidos como celeiro de craques desse esporte. Seria pretencioso listar os melhores jogadores desse período sem que se cometesse alguma injustiça. Mas uma coisa é certa: se havia muitos craques, havia muitas e boas oportunidades.
Nas décadas de 1980 e 90, boa parte dos clubes mantinha, além da base, a categoria adulto. A meta era disputar o "Citadino", amplamente divulgado pela FOLHA. Grande parte dos jogadores da base assistia às rodadas no Palácio do Futsal, que recebia um ótimo público nos dias de clássicos. Alguns, ainda muito jovens, estrearam entre os "profissionais", pois havia muitas equipes adultas para se jogar. As oportunidades eram fartas e boas. Houve uma geração nos anos 90 que perdia no Estado apenas para a Inpacel (base da seleção brasileira). Esse ambiente aquecido revelou um bom número de ótimos jogadores para o futsal adulto. A trajetória de Waguinho é emblemática: jogou na base do Bussadori, no adulto da AABB, chegou à seleção brasileira e foi campeão mundial.
Com a profissionalização do futsal, sobretudo nos anos 2000, isso mudou. O "Citadino" adulto acabou. O último campeonato estadual adulto a ter clubes londrinenses tradicionais foi o de 1998. Logo, embora os clubes formassem jogadores, diminuiu-se a possibilidade de estes chegarem ao adulto. Ainda assim, foi o último bom momento de jogadores revelados: Arrepiu, Issamu, Marcelinho, Serginho, Gian, Danilo, Davi, etc., chegaram à Liga Futsal; outros foram para o exterior. Entre esses, Marcio Forte, que disputou dois mundiais pela Itália. Há, também, os que migraram para o futebol, como Neto, Jadson, Rafinha, Vandinho.
Atualmente, embora haja muitos jovens praticando futsal (cerca de 2000) e alguns bons resultados no âmbito estadual, há poucas chances de que cheguem à categoria principal daqui ou de fora. Por quê? Porque há poucas e remotas possibilidades. Após os 17 anos, ou se joga mais um ano na seleção sub-18 patrocinada pelo município (Programa de Formação Esportiva da Juventude), ou se é recrutado precocemente para a equipe profissional (que não existe mais). Para se ter ideia do quanto isso é restrito, ano ano passado havia apenas dois atletas de 18 anos entre os profissionais. A maioria fica pelo caminho; desiste; é esquecida.
Agora somos conhecidos por negligenciar o potencial dos nossos jovens talentos. Por exemplo: da geração que venceu os Jogos da Juventude do Paraná em 2007-08, quantos jogadores foram aproveitados no adulto? Nenhum. Vencemos os jogos novamente em 2012 e receio que a nova geração sofra o mesmo desfecho.
Como reverter isso? Com equipes e competições juvenis e uma jovem equipe adulta. Para tanto, o foco da Liga Metropolitana e os recursos do município destinados ao futsal precisam ser para isso. Os clubes tradicionais e outros precisam ser subsidiados na categoria juvenil. Os jovens precisam estar na quadra. Em médio prazo, se formaria uma ou mais equipes adultas competitivas com jogadores daqui. Sairiam apenas quando algo melhor os atraísse.
Caso contrário, nosso futsal adulto ficará refém de algum mecenas. Quando ele sair acabará tudo, como agora. Se voltar, contratará, acertadamente, muitos profissionais e os jovens terão poucas chances. Isso é muito pouco considerando a nossa tradição de revelar jogadores. Nossos jovens merecem mais e melhores oportunidades. Que tenhamos humildade e competência para criá-las.

WILTON SANTANA
é professor do curso de Esporte da Universidade Estadual de Londrina



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