E nós, brasileiros?
Nada está tão em moda, no Brasil, quanto a corrupção. Basta ler os jornais ou ligar a TV para confirmar esse triste rumo tomado por nossa política. Os partidos brasileiros, incapazes de banir os seus devassos associados, caíram numa deturpação aparentemente irreversível; preferem trocar ofensas e adjetivos depreciativos, muitas vezes, infundados, expondo-se a situações absolutamente ridículas, a discutirem propostas e assuntos de interesse do país, quando se reúnem em assembléias. Movidos, vez ou outra, por dissidências pessoais, engendram verdadeiras guerras verbais, tendo como pano de fundo a bandeira de seus partidos. Mas o que é um partido político? Longe de ser uma coletividade onde predomina os interesses e o bem-estar dos cidadãos, defendidos com projetos e idéias, no Brasil, ele tem sido comparado a uma máscara, que é usada quando os interesses pessoais estão em jogo, revelando desagradáveis surpresas, quando é retirada.
O brasileiro vive saturado com tanta baixaria política, seguida de revelações nada favoráveis aos currículos de seus governantes. O cenário é lamentável e o despudor político alastrante. Há tempo que ele se desprendeu do Planalto Central para vigorar em qualquer micromunicípio, onde haja um prefeito, por exemplo. Não importa o cargo, o cinismo tem feito de nossos líderes, grandes mestres da improbidade.
Acusam-se entre si e destroem reputações, quando não se autodestroem, sem se preocuparem com questões básicas à dignidade política, como a ética e o respeito à oposição. Enquanto isso o povo neobobo assiste frustrado o bombardeio de denúncias, que faz com que o trabalho no Senado permaneça instável.
O recente (e persistente) episódio ACM x FHC pode ser comparado a uma novela de baixa audiência: a cada dia apresenta um capítulo pior que o anterior. Essa passagem nos revela o verdadeiro objetivo de nossos políticos: o seu próprio status. O senhor ACM só agora, depois de ser derrotado por Jader Barbalho, nas eleições para o Senado, resolveu alertar o povo brasileiro sobre as irresponsabilidades de FHC, que tem Jader Barbalho como aliado. Se as eleições tivessem favorecido ACM, provavelmente as vaciladas do nosso presidente, denunciadas pelo senador, não estariam sendo examinadas com tanta efusão. E essa vingança promete ser bem mais maligna do que se espera. Teremos um segundo impeachment?
Infelizmente, assim, continuaremos sem boas perspectivas comerciais, de rendosos negócios exteriores (pois dependemos deles), já que para se atingir essa meta, o primeiro passo deve partir da interação política entre os partidos que compõem o governo. Precisamos exportar mais e importar menos, para garantir uma balança comercial favorável, segundo dizem os economistas. A frase reflete muito bem a condição brasileira: compramos mercadorias da Inglaterra, EUA e Canadá, por exemplo, a taxas cambiais altíssimas, e temos nossos produtos (mal taxados) recusados em transações comerciais com estes países, como o famigerado caso da vaca louca.
Aliás, as nossas vacas, como se sabe, não estavam loucas. Agora, sobre os nossos políticos dos grandes escalões, tenhamos lá nossas dúvidas.
- RITA DE CÁSSIA SIMÕES MARTELINI é estudante universitária em Londrina





