Papai Noel existe e mora na imaginação das crianças. Para os pequenos que acreditam, ele é o símbolo do Natal e para os adultos que fazem o papel do ''bom velhinho'', e entram num mundo de fantasia, a figura também significa amor e emoção, mas principalmente gratificação.
No segundo ano como Papai Noel, o ator e técnico de iluminação Ricardo Purpur Bueno, 27 anos, afirma que apesar da correria e do trabalho cansativo atende crianças por quase 10 horas num dos shoppings da cidade , a satisfação é grande. ''Não tem o que pague a inocência de uma criança'', afirma.
Para o aposentado José Carlos Pigaiani, 49, representar o Papai Noel pela primeira vez é uma responsabilidade muito grande. ''As crianças acreditam e levam a sério, pedem presentes. A gente que é pai sabe como o Papai Noel é importante para uma criança'', avalia.
O ex-bancário Carlos Alberto Boselli, 65, já se considera um veterano na arte de interpretar o Papai Noel, fantasia que veste há oito anos. ''Já faz parte da minha vida'', constata. Mas ser Papai Noel todos os anos começou por acaso, por causa de uma brincadeira da filha. ''Ela chegou com um recorte de jornal com um anúncio pedindo pessoas com peso acima dos 100 quilos e com idade acima dos 40 anos e duvidou que eu me inscrevesse'', conta.
Boselli não só se inscreveu como ganhou a vaga, sem saber que era para o ''cargo'' de Papai Noel. Quando soube até pensou em desistir, mas assumiu a ''responsabilidade''. ''Hoje eu vivo o espírito do Natal, não deixo uma criança sem resposta, mesmo crianças com mais de 90 anos'', afirma. Em oito anos, Boselli já recebeu pedidos de muitas ''crianças grandes'' ''casais com desavenças, moça que não casou, casal pedindo filho''.
Para ''atender'' todos esses pedidos, Papai Noel Boselli pede ajuda do ''papai do céu''. ''Eu dou a balinha e falo: 'reza bastante para o papai do céu que você vai conseguir'. E as pessoas conseguem, se têm fé'', diz. Ele guarda todas as cartas que recebe e quer escrever um livro sobre a experiência de ser Papai Noel.
Ser o Papai Noel, mesmo que apenas por alguns dias, emociona quem veste a fantasia. ''Tem bastante pedido que emociona, principalmente quando a criança fala que pode ser qualquer coisa para ela poder brincar. Já tive vontade eu mesmo de comprar um presente e dar para a criança quando a gente vê que os pais não têm condições de comprar'', afirma Bueno.

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