É hora de investir na carreira, dizem analistas
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segunda-feira, 27 de outubro de 2008
Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A crise financeira dos EUA traz o grande temor do desemprego para quem trabalha com carteira assinada. Frente ao fantasma da recessão que paira sobre o mundo, há formas de manter o emprego ou, na pior das hipóteses, encontrar maneiras de conseguir nova colocação no mercado de trabalho.
O head hunter Bernet Entschev disse que uma das primeiras etapas para continuar empregado é melhorar o desempenho e a visibilidade na empresa. Outro ponto que merece atenção é investir no relacionamento com os colegas de trabalho. ''No momento que precisar escolher pessoas para serem demitidas, as que têm um relacionamento restrito têm mais chance de serem cortadas'', destacou.
O currículo também deve estar sempre atualizado caso seja preciso utilizá-lo. Entschev recomenda que a pessoa frequente locais nos quais possa ampliar o networking.
''Quando as pessoas estão em um emprego, esquecem que existe o mundo ao seu redor. Quando são despedidas, não têm conhecidos que possam ajudar'', disse. A dica é gastar de 1h30 a 2 horas por semana para conhecer pessoas.
Ele também recomenda que o profissional volte a estudar preventivamente, o que pode incluir leitura de livros, pós-graduação, MBA e até cursos de fim de semana. Outra dica é frequentar eventos como palestras e exposições para ajudar a melhorar o networking.
Um ponto importante é revisar os objetivos pessoais. ''Às vezes, a pessoa já deveria ter mandado a empresa embora ao invés de ser mandada embora'', enfatizou. Outra estratégia é mandar artigos para jornais, montar um blog e até dar palestras sem remuneração.
A tradicional olhada nos classificados de emprego também não deve ser deixada de lado.
É fundamental tentar projetar uma imagem competente no trabalho. ''Um casamento bem sucedido é aquele que a pessoa não baixa a guarda e depois de 30 anos continua namorando.''
Segundo ele, os primeiros a serem mandados embora são os mais ineficientes, em seguida, os menos significativos e os menos ''simpáticos'', ou seja, aqueles que não se relacionam tão bem com o grupo.
Entschev afirmou que, em momentos de crise, o profissional especialista é mais valorizado que o generalista porque vai com mais profundidade em cada assunto e deixa de lado as coisas periféricas.
O supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Cid Cordeiro, disse acreditar que o emprego depende menos do indivíduo e mais da economia. Quando a economia não vai bem, as empresas aumentam os requisitos nos processos de seleção. Cordeiro considera importante o funcionário avaliar como a crise vai afetar a empresa na qual trabalha e investir na qualificação.


