É hora de frear as motos
Eles são trabalhadores. Enfrentam um mercado competitivo. Portanto, procuram ser rápidos. Mas isso não lhes dá o direito de praticar imprudências, como fazem noite e dia. São trabalhadores e têm que correr contra o tempo, atender expectativas de patrões e clientes. Mas, as peripécias dos profissionais que ganham a vida sobre uma moto estão virando uma ameaça à vida. Como eles, as outras pessoas - na verdade suas vítimas potenciais - também têm pressa, também enfrentam um mercado igualmente competitivo. Então, senhores, por que só o motoqueiro tem que fazer loucuras?
De novo: são trabalhadores e ganham a vida honestamente. Mas nada justifica sublimar seu trabalho em detrimento da missão das outras pessoas. Nem é preciso dizer que não se pode generalizar. Agora a imprudência está chegando a um limite. Há motoristas que elevam o sentido da direção defensiva sempre que se encontram em situação, por exemplo, de emparelhamento com motos. As reclamações são muitas. Alguns dos nossos leitores confessam: tenho medo de atropelar um. Como fugir do motoqueiro?
Sem consciência da fragilidade dos seus veículos em caso de choque e, o que é pior, sem enxergar o perigo iminente, eles correm, fecham outros veículos, fazem ultrapassagem em espaço mínimo, ultrapassam pela direita e andam na contramão. E mais: usam uma terceira via inexistente. Usam o corredor inexistente entre as pistas.
A julgar pelos seus comportamentos no trânsito, para motoqueiros e muitos motoristas, a vida parece ter menos valor. Além das imprudências ameaçadoras, é flagrante a falta de respeito. Se usarmos o comportamento no trânsito como aferidor de educação, veremos que as cidades carecem do padrão mínimo de civilidade. Isso mesmo, a civilidade está longe do trânsito.
Desafiam o instinto de sobrevivência ao se esquerecerm que o motorista daquele momento é o pedestre daí a poucas horas ou minutos. Dissemos acima que esses pilotos são compelidos a correr muito por imposição da eficácia. Mas, cabe perguntar: que raio de eficiência é essa que se sobrepõe à vida. É a contraposição da baixa eficiência viva versus a eficiência morta. Entre equívoco e irresponsabilidade alguns minutos do nosso trabalho valem mais que a vida do próximo. Os heróis do delivery adotaram esse slogan mortífero.





