A pergunta, invariavelmente, é a mesma: será que o País sai desta crise? Por todos os lados, a sensação de dúvida e insegurança persegue os setores médios, que acompanham e procuram interpretar o momento crucial que estamos atravessando. No mar das incertezas, a correnteza acaba levando os interlocutores à conclusão expressa pela velha frase que encarna as esperanças gerais: o Brasil é maior que a crise. Essa é a verdade. Temos um PIB muito superior ao do México e a realidade brasileira não tem nada a ver com os países asiáticos ou mesmo com a Rússia. Somos um país continental, possuímos riquezas fabulosas e a dinheirama que está saindo estancará, antes de chegarmos ao limite mínimo de reservas - da ordem de US$ 20 bilhões - que acenderá o farol vermelho do FMI.
Aberto o sinal otimista do futuro, vamos ao amarelo do momento. Que fatores, fora do eixo econômico-financeiro, estariam contribuindo para expandir a crise? Alguns são muito evidentes. O primeiro problema diz respeito à psicologia do presidente da República no gerenciamento da crise. Ele refugia-se no abrigo de uma assessoria fechada e burocrática. Fernando Henrique está só. Seus interlocutores se restringem à pequena roda econômica. Um contransenso. Pois o presidente deveria circular pelo País, ouvir os setores organizados, aferir posições, sentir expectativas, procurar falar diretamente com quem está sentindo os efeitos da crise na própria carne. Nomear ministros para cumprir essas tarefas, não é suficiente. O País quer ver um presidente comandando, ouvindo, respondendo, abrindo o coração.
A sociedade quer falar, participar, sugerir. A agenda governamental precisa se impregnar do corpo social. Está totalmente ocupada pelos corpos argentário (moeda, câmbio) e político (negociações com o Congresso). O número de entidades organizadas se multiplica. Os grupos se mobilizam. Mas o governo se fecha cada vez mais. Um segundo fator disparador de expectativas é a insegurança da própria equipe econômica. Parece que não sabe que caminhos trilhar, que decisões tomar. Cada vez mais minguada, a pequena equipe se fragiliza com respostas dúbias e pareceres técnicos que não mais convencem. Cobravam muito do Congresso. A resposta dos congressistas veio forte e rápida. A bola, agora, está com o governo. O saco de argumentos da burocracia econômica parece esgotado.
Outro fator que contribui para a desestabilização é a cultura de aproveitamento da crise, muito alastrada entre nós. Hotéis passam a cobrar em dólares. Setores da indústria aumentam preços, sem razão aparente, deflagrando ações especulativas. E até o vendedor de cocos entra na ciranda da especulação. Um rotineiro bebedor de água-de-coco em São Paulo conta que ficou surpreso ao ver o preço do coco subir, da noite para o dia, de R$ 1,00 para R$ 3,00. Questionado, o vendedor imediatamente apelou para a subida do dólar. A boataria sobre a volta da inflação infla preços, fazendo subir a pressão social. O nervosismo, a recordação do tac-tac das maquininhas de marcar preços nos supermercados, a contribuição dos inativos, os noticiários alarmantes das TVs acaloram as conversas, enervando os ambientes.
Falta o discurso positivo, denso, bem direcionado. A comunicação do governo é um monólogo seco e sem convicção. As linhas-mestras da política econômica não são apresentadas. Forma-se a tessitura para discursos malucos, como o do preparado Tarso Genro, ex-prefeito de Porto Alegre, que pede novas eleições. Fosse mais firme, direto; tivesse disposição de abrir os canais da comunicação com a sociedade organizada; corresse o País de um lado para outro, mostrando domínio do território, Fernando Henrique poderia reduzir o tamanho da crise a níveis bem administráveis.
Não dá mais para resolver situações usando-se a estratégia da inércia. Exige-se postura pró-ativa do Governo e não atitude reativa.
É hora de acordar!

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