O pai sempre foi uma figura controvertida, à medida que ele passa de herói a vilão e muitas vezes o xerife da casa. As coisas começam muito cedo e de maneira confusa, uma vez que o casamento sempre foi para a maioria dos homens um investimento social, diferente da mulher que valoriza mais a construção do seu ninho.
O itinerário que o homem percorre desde a infância sempre foi diferente daquele realizado pela mulher. Até pouco tempo atrás, a educação dos filhos e os cuidados da casa eram tarefas femininas. O território masculino sempre foi o ambiente social, o local de trabalho, o bar, enfim, a vida fora de casa.
A distância da casa e dos filhos desenvolve no homem um papel mais rígido, na maioria das vezes disciplinador, impondo limites que nem sempre a mãe consegue estabelecer. Muitos de nós fomos acostumados com aquela figura de pai durão, aquele que sempre teve o papel de provedor, que muitas vezes a última palavra era dele, e que aparentemente tinha poderes pra resolver todos os problemas o que na prática nem sempre ocorria.
Alguns pais desenvolveram modelos tão autoritários que a sua chegada em casa criava um clima de terror e medo. Esconder-se em algum lugar ou evitar essa confrontação sempre foi uma tática muito usada pelos filhos. Infelizmente, esses comportamentos geraram uma relação formal, fria e muito frustrante.
Uma situação curiosa e extremamente contraditória é relatada por familiares que constatam que aquele pai disciplinador, que apenas pelo olhar já exala repressão; fora de casa se mostra comunicativo, simpático e até amável. Esses homens não se deram conta que copiaram modelos estereotipados dos seus pais e avós e que precisam ser reavaliados.
A emancipação da mulher nesses últimos vinte anos participando mais ativamente do trabalho fora de casa e ajudando no orçamento doméstico tem contribuído para um processo reeducativo do homem que começa a acompanhá-la no pré-natal, na maternidade, na ida ao pediatra e nas reuniões psicopedagógicas da escola.
Esse novo homem começa a desenvolver uma postura inteligente frente aos filhos, deixando de lado o papel de autoridade, de disciplinador, aprendendo a conversar de maneira mais franca e amigável, preenchendo aquele vazio existente entre eles e tornando as relações mais gratificantes. Sem dúvida, isso vai contribuir para um maior contato físico, onde os carinhos, beijos e abraços passam a fazer parte de uma nova forma de amar.
É triste ouvir marmanjos reclamando que a grande angústia de suas vidas foi a falta desse abraço, desse carinho, dessa conversa descontraída e de um ombro amigo onde pudessem falar de suas inseguranças.
Apesar das críticas que o dia dos pais e outras datas têm sempre um significado comercial, isso não invalida a necessidade que cada pai tem de avaliar na sua intimidade qual foi o itinerário utilizado e quais os novos caminhos que devem ser seguidos para que essa convivência seja transparente, onde o diálogo e o afeto tenham sempre uma mão dupla.
Procure participar mais da vida do seu filho se interessando não somente pelo seu aproveitamento escolar, mas pela sua capacidade de conviver com os amigos, da facilidade ou não de conseguir namorada(o); criar entre vocês um conversa franca, principalmente sobre vida afetiva e sexual. É dessa maneira que eles poderão crescer mais confiantes e com a auto-estima elevada. Assim você estará exercendo verdadeiramente o papel de pai e amigo.
* Dr. Moacir Costa médico psicoterapeuta. Autor do livro 'Sexo: o dilema do homem' Editora Gente.
Serviço: Dúvidas sobre 'Sexo', ligue para 0800.770.6543 (gratuitamente), de 2 à 6 feira, das 8h às 14h. O atendimento é realizado por médico ou psicólogo.

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