Todos os relacionamentos amorosos enfrentam, às vezes, momentos delicados, que devem ser administrados com cuidado. São ocasiões nas quais é preciso chegar para o companheiro ou companheira e dizer ‘‘não’’. Sabe-se da dificuldade que uma negativa pode provocar.
A pessoa que não consegue dizer ‘‘não’’ tem a tendência de apresentar uma estima baixa e, em geral, teve problemas de relacionamento afetivo e recebeu pouca qualificação dos pais na infância. Acha que para ser amada necessita agradar o tempo todo. Impedida de expressar os seus verdadeiros sentimentos, foi ensinada a ser ‘‘boazinha’’, cordata, obediente. E a nunca confrontar, desobedecer ou contrariar as pessoas mais próximas (amigos e familiares). Esse tipo de comportamento acaba com a coragem e a iniciativa, e só estimula a timidez e a insegurança. O ‘‘não’’ é visto como forma de rejeição.
Pessoas com esse perfil psicológico não conseguem se colocar nas relações, sejam afetivas ou profissionais, e acabam se prejudicando. Acham que, para preservar um vínculo ou uma amizade, é preciso sempre ceder ou mesmo se curvar. Também acreditam que a recusa é sempre uma agressão. Mas quem disse que dizer ‘‘não’’ provoca atrito? Essa palavra pode ser dita de forma educada e até afetiva, embora de maneira firme e determinada.
O ‘‘não’’ acaba sendo uma tortura em dois sentidos: tanto para falar como para ouvir. Há quem não faça um mero pedido, por mais simples que seja, com medo de receber a negativa como resposta. Não luta e não se arrisca pelo temor de ser rejeitado.
Quando você perceber que o seu parceiro está menos ligado ou demonstra pouca atração sexual por você, é um sinal de alerta que indica que o entusiasmo ou admiração que ele tinha por você começa a declinar e o desinteresse sexual vai junto. É fundamental reconhecer que o ‘‘não posso’’ e o ‘‘não quero’’ não estão ligados ao desamor. A pessoa não faz porque não está com vontade no momento, não ajuda porque está muito ocupada, não empresta o dinheiro porque pode fazer falta. E não por crueldade ou desprezo.
Muito mais franco, verdadeiro e honesto é ser fiel a si mesma. Dizer ‘‘não’’ faz parte de um rico aprendizado, principalmente quando se entende que o direito de se posicionar no mundo é vital para a felicidade própria e a dos outros também.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo
Serviço: A partir de amanhã os leitores da Folha poderão utilizar o Serviço de Utilidade Pública através do telefone 0800.770.6543 (gratuito), para resolver suas dúvidas relacionadas à vida afetiva e sexual. As ligações serão atendidas por médicos ou psicólogos, sob a supervisão de Moacir Costa. O atendimento será de segunda à sexta-feira, das 8 às 14 horas. O apoio é do Laboratório Pfizer.

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