De nada adianta o Governo conceder mais financiamento para o produtor rural, porque este é um empréstimo, e mais encargo significará aumento da conta a pagar mais adiante. O que a atividade do campo precisa é de renda, porque se há lucratividade tudo o mais se resolve. E para haver renda, que é o saldo positivo entre o custo de produção e o valor da venda do produto, será preciso eliminar os encargos sobre a agricultura, ao menos até que o equilíbrio se restabeleça. Esses encargos são os impostos PIS, Cofins, Funrural, recolhimentos sobre os salários e o alto preço do óleo diesel. Tudo o que hoje se produz na lavoura e na pecuária está dando prejuízo, e esta não é uma afirmação aleatória mas comprovada pelos números. Então, mais empréstimos só representarão novos compromissos assumidos, e de nada adiantarão se a lavoura continuar produzindo com prejuízo. E é oportuno lembrar que desses R$ 60 bilhões anunciados apenas R$ 10 bilhões são dinheiro novo. Reduzir juros também não é solução, porque será necessário o suporte para pagar o principal, mas não com dinheiro emprestado e sim com a própria renda. Existe maneira correta e maneira incorreta de solucionar um problema, e o Governo, mais uma vez, despreza a forma correta, que é eliminar os pesados ônus sobre o produtor, todos eles com origem na esfera oficial, e que são as obrigações tributárias citadas. Com as perdas por estiagens passadas, acúmulos de dívidas já renegociadas, queda do dólar (que manteve os insumos no mesmo patamar alto, sem compensação de preços na comercialização das safras, que sofreram queda), os males se agravaram e o produtor rural ficou inviabilizado. Inútil a adoção de fórmulas paliativas se não for diminuída a pesada carga sobre o lombo do produtor. Grave é que também sai caro para o próprio Governo e para a nação esse deslocamento de dinheiro, se não se toca no ponto nevrálgico, que se resume numa só coisa: a renda. Sem ela, nada se sustenta. O presidente Lula se não por consciência acerca do valor da agricultura, mas aos menos para ganhar a simpatia dos produtores rurais em tempo de campanha eleitoral deveria ouvir diretamente a gente do campo e adotar medidas heróicas, como a diminuição dos encargos mencionados. Já se prevê diminuição de áreas plantadas, o que significará prejuízo para os donos de terras e para a nação, porque haverá escassez de produtos e aumento de preços, com todo o corolário de outros males que virão por consequência. E esse pouco plantado ainda será uma aventura de risco, se nada mudar, porque o prejuízo será certo, como acontece agora. Sem renda não há salvação para negócio algum, e o da lavoura é vulnerável e está literalmente falido. Se a agricultura se atola, leva junto as indústrias de insumos e sementes, de maquinaria e equipamentos agrícolas, paralisa as agroindústrias, gera desemprego, menor arrecadação tributária, menos exportação, menos tudo, e abala a estabilidade econômica também das cidades. Será simplesmente o caos.

mockup