Situações de emergência precisam ser atendidas, caso dos atingidos agora pelas enchentes em Teresina, mas nesses socorros há também a ocorrência dos que tiram proveito escuso disso ou não prestam conta da aplicação dos recursos recebidos. É comum ouvir-se denúncias de desvio de donativos, embora isso não deva retrair as pessoas que querem ajudar e nem os poderes públicos. Porque é sempre maior o benefício do que o oportunismo dos desonestos.
Sob esse aspecto, tem razão o presidente Lula ao exigir que os prefeitos de municípios flagelados apresentem relatório, com as devidas comprovações, do dinheiro público e do material que recebem. E também que mostrem projetos do que farão com a verba destinada à recuperação de danos. O contraditório disso é que muitas coisas dos governos não são claras e a prestação de contas também é vaga. O próprio presidente da República disponibiliza de verbas sem controle de gastos.
Não há o mínimo risco de erro em afirmar que a gastança abusiva está presente em quase tudo que envolve dinheiro público. As tais verbas indenizatórias dos parlamentares é outro exemplo, assim como as passagens aéreas, as obras superfaturadas, as propinas que correm soltas para os bolsos de gente dos governos, os cartões corporativos sem fiscalização, as despesas monumentais com o supérfluo, exércitos de assessores que pouco ou nada assesoram mas se valem do nepotismo ou apradrinhamento, enfim a farra pública, que no Brasil assume proporção de verdadeiro banditismo. Porque se não é este o nome que se deve dar à prática de roubar dinheiro do povo, será preciso redifinir o vocabulário. Então, os cidadãos que ouvem o presidente Lula (que sobrevoou a área inundada do Piauí) exigir relatórios sobre o destino do dinheiro dado como ajuda, lhes dão razão por um lado mas devem questionar porque ele próprio não faz o mesmo com relação a muitos dos seus gastos. O Governo federal regateia verbas aos estados e municípios, e governadores e prefeitos também não limitam gastos abusivos. Assim a população logo percebe que nessa faina da divisão do bolo todos querem abiscoitar o máximo sem fazer um mínimo esforço de economia.
Apenas citando um exemplo doméstico, dois vereadores de Londrina foram a Brasília, por conta do dinheiro do povo, para uma total inutilidade, e, pior, sem nenhuma vergonha do povo pois foram lá esperando ver aprovado o aumento do número de vereadores no País. O presidente da Câmara deveria solicitar que eles devolvam o dinheiro gasto.
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