E agora, José?
Caiu como bomba no mercado o anúncio do governo, no início da tarde de ontem, de aumento do juro básico da economia para 21% ao ano. Não que a surpresa seja absoluta, porque já se cogitava alguma medida de impacto pelo governo, impotente na queda-de-braço com os especuladores que andam ganhando montanhas de dinheiro no Brasil neste fim de governo.
Os técnicos do Banco Central reuniram-se em caráter extraordinário e, em uma canetada, despacharam para a lua a taxa básica. Os efeitos da medida não serão novos, mas terão dimensão ampliada. O aumento foi grande. A taxa básica (Selic) tem oscilado na faixa de 0,5 ponto percentual a no máximo 1 ponto. Para cima ou para baixo. Dessa vez, são 3 pontos percentuais de uma só vez. É como se o médico prescrevesse ao paciente a dose máxima do antibiótico mais potente, que cura ou mata.
O problema é que a economia brasileira é neste momento um doente debilitado, sem responder às terapêuticas que nas crises passadas, curiosamente, funcionaram (ou só teriam camuflado os sintomas?). O dólar rompe todas as barreiras, a bolsa cai sem parar, o crédito ao setor produtivo já secou, as indústrias não produzem nem planejam, o comércio reflete a retração aguda, o consumidor tem muito receio e pouco dinheiro. A roda da economia travou.
Esse é o País que o novo presidente herdará em menos de três meses. Uma economia em frangalhos, que enriqueceu o capital estrangeiro e destruiu a base produtiva nacional, quebrou empresas, podou empregos, enxugou dinheiro do mercado interno, endividou enormemente os brasileiros, apagou projetos de futuro.
Será que o candidato do governo à Presidência, José Serra, que tanto propõe debater o futuro do País com o seu opositor, Luiz Inácio Lula da Silva, tem algo a dizer sobre como sair dessa?
Ruth Meira





