E agora José?
São muito claras as demonstrações de falta de recursos da Secretaria de Segurança Pública do Paraná para o cumprimento de suas obrigações constitucionais. Matérias apresentadas por este ético e corajoso jornal versam sobre a alarmante falta de combustível na maioria das corporações e falariam por si só, não fosse observada a ausência de reação de toda a comunidade.
Não é preciso ser adivinho para prever os acontecimentos, quando as rondas aleatórias e os serviços gerais da PM mal serão prestados, pois as viaturas ficarão paradas em pontos estratégicos para fazer presença, como afirma o Comando da PMPR, que ordenou expressamente aos seus soldados que em caso de diligência nas proximidades, a ronda deverá ser feita a pé. Imaginem a balbúrdia. Isso é algum tipo de piada, ou esta secretaria está falando sério e acredita que assim a proteção vai melhorar?
É deprimente observar a sociedade assim, tão passiva frente a ruína do Estado. Para onde está sendo mandado o nosso dinheiro? Está se vendendo todo o patrimônio do Paraná, e não se tem recursos sequer para a gasolina da PM, num Estado com um crescimento estimado de 6% no PIB e sua consequente arrecadação.
Londrina, por exemplo, cuja população dobrou nos últimos 10 anos, e houve respectiva dobra na arrecadação, tem uma corporação policial que não cresceu em um só homem neste período. E antes havia dinheiro para gasolina. E a secretaria diz que está tudo bem, tudo normal. Normal? Normal somente se forem os recordes de criminalidade que esta secretaria deseja quebrar. É no Guiness Book que o secretário quer seu nome gravado como recordista absoluto no aumento da criminalidade? Se for assim, custa menos dar férias coletivas também aos policiais, como o governador ordenou a outros serviços estaduais, do que deixar a PM a pé, com histórico de telefones cortados, homens sem alimentação, viaturas sem combustível.
Ladrão não teme viaturas paradas para fazer de conta, perdão, paradas para fazer presença. Mas qual é a diferença de fazer presença para fazer de conta? A diferença é que este governo está pensando que governar é igual história da carochinha, quando qualquer coisa se conta e todos acreditam. Onde tudo se pode e nenhuma responsabilidade existe.
Esclareça-nos, senhor secretário José Tavares. O que está acontencendo? A desculpa da Lei de Responsabilidade Fiscal todos já conhecem. O ministro da Justiça, José Gregori, enviou recentemente R$ 15 milhões para ajudar a segurança pública do Paraná. Mas para a política nunca faltou gasolina.
Por que a arrecadação de Londrina dobra e os recursos diminuem? As vendas de patrimônio público ocorrem, recursos extras são enviados, mas se diminui ainda mais os recursos da nossa PM. Em governos passados, arrecadava-se menos, não se vendia nada público nem havia Plano Nacional de Segurança Pública e o Estado cumpria satisfatoriamente suas funções. Agora, com mais recursos, não há nem dinheiro para gasolina?
Dizer que a Polícia vai atender a pé ou a cavalo também é estranho. São 20 cavalos para uma população de quase 500 mil habitantes. Só está faltando se falar em comprar charretes e equipá-las com giroflex e rádio para economizar combustível. A Sociedade Rural oferece soluções paliativas e querem transformá-las em principal? É a isto que vocês chamam modernização da Polícia?
A comunidade de Londrina não é tola. Já demonstramos isto várias vezes no passado. Não é porque o secretário é daqui que ficaremos de braços cruzados, olhando o circo ruir. É com nossa vida e nosso patrimônio que estão brincando.
Continuem brincando de governar e responderão pelas consequências. Nunca se arrecadou tanto, nunca se vendeu tanto patrimônio público, mas nunca se retornou tão poucos benefícios à comunidade.
E agora José, como será o nosso amanhã?
- JOAQUIM SILVA é assessor econômico em Londrina





