As declarações atribuídas ao senador Delcídio Amaral (PT-MS), divulgadas ontem pela revista IstoÉ, confirmaram o que a maioria da população já sabia: a presidente Dilma Rousseff (PT) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estão envolvidos nos esquemas de corrupção na Petrobras e atuaram a favor de réus presos pela Operação Lava Jato. É a primeira vez que o envolvimento da presidente nos escandâlos de desvio de dinheiro da Petrobras é tornado público.
É claro que, em um primeiro momento, é preciso cautela. As declarações do senador precisam ser confirmadas e o acordo, homologado pela Justiça. Também deve-se considerar se as afirmações declaradas à Justiça são verdadeiras. O Planalto já se apressou em tentar desqualificar o senador, mas sabe-se que o clima é de apreensão. Nem podia ser diferente. No entanto, o que o País precisa neste momento é de transparência – e de conduta ética de seus políticos.
Todo o conteúdo declarado pelos réus ouvidos pela Justiça precisa ser investigado exaustivamente. No entanto, à população é difícil acreditar que um grandioso esquema de desvio de dinheiro, pagamento de propinas e enriquecimento ilícito foi montado na Petrobras – a maior estatal do País – e operado sem o conhecimento dos principais mandatários do País e que estes não foram beneficiados. Portanto, é importante que além de desqualificar testemunhas, o Planalto apresente provas contudentes da isenção da presidente, se houver.
O momento atual é um dos mais importantes da história do País. Crise econômica, política e ética. Os brasileiros estão cansados de tantos escandâlos. É chegada hora de a população manifestar mais fortemente essa insatisfação. Decisões tomadas agora irão balizar o futuro. Não basta apenas reclamar do atual governo, o cenário exige ação. Os rumos do País só serão modificados se a população exigir e fazer valer o seu direito.

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