Governabilidade é a palavra mágica que o novo governo tem usado para explicar as dissonâncias das ações do momento com o passado recente. Pouco tempo atrás era fácil demais. Tudo podia ser consertado, neste país de desvios. Quem não se lembra das proezas construídas nos discursos plenos de apelos nacionalistas?
O tempo passou e a rapaziada vermelha passou à situação. Surge a promessa do governo da mudança. No entanto, os juros foram elevados, a tabela do Imposto de Renda não foi atualizada, as metas do superávit primário (a grana destinada ao pagamento dos juros da dívida externa) atingem os maiores índices da nossa história, os preços ao consumidor continuam ascendentes. Espera um pouco, isso não era ''coisa'' do outro governo?
Não bastasse a continuidade do modelo econômico outrora combatido, no campo político a situação é muito mais confusa. O caso da guerreira senadora Heloísa Helena ilustra bem o quadro de contradições múltiplas no qual se inserem os senhores da moralidade. O pior é uma parlamentar da Câmara Alta sofrer pressões internas do partido que mais lutou contra o cerceamento de idéias.
É muito estranho vermos o presidente da Câmara dos Deputados, o deputado João Paulo, propor a lei do silêncio. Antes, o PT defendia o amplo debate e a manifestação livre dos parlamentares. Aplaudia e dava sustentação aos embates ideológicos contra os ''oligarcas do Nordeste''. Hoje, reprime quem contesta e ameaça os que mantêm a linha. Vai muito além do contraditório ao premiar com apoio decisivo um dos mais cristalizados coronéis do Nordeste, o atual presidente do Senado, senador José Sarney, muito combatido pelo PT de antanho.
Poderíamos prosseguir, mas as considerações acima são suficientes para iniciarmos a nossa reflexão a respeito destes novos tempos (novos, em tese). É muito cedo para avaliarmos o sucesso ou não das novas (nem tanto) medidas governamentais. Porém, pelo que estamos presenciando precisamos estar preparados porque o festival do ''agora, não é bem assim'', ''esqueçam a militância'' e outras fórmulas explicativas continuará dando o tom do espetáculo. Ei! agora, sem vaias, companheiros!
PAULO CEZAR BASÍLIO é professor e vereador em Pinhão

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