Um dos problemas mais preocupantes na luta contra a dengue é o risco das infecções severas, que podem acontecer quando o paciente contrai a doença pela segunda vez. Situação que ganhou um contorno mais perigoso em Londrina a partir da confirmação, via Secretaria Municipal de Saúde, de que um novo sorotipo de dengue na cidade, o 4, é registrado pela primeira vez no município. Segundo a autarquia, atualmente três, dos quatro sorotipos do vírus da dengue estão em Londrina: 1, 2 e 4.

Uma situação preocupante, já que é possível que quem teve dengue neste primeiro semestre contraia novamente a doença, por outro sorotipo, com maior probabilidade de complicações. Em reportagem publicada neste fim de semana pela FOLHA, a diretora de Vigilância em Saúde, Sônia Fernandes, explicou que, com a dispersão do vírus pela cidade, todas as pessoas que já tiveram dengue nos últimos meses poderão ficar doentes novamente e, quanto mais próxima uma infecção da outra, maior a probabilidade de complicação.

A dengue é, certamente, um sério problema de saúde pública. A doença ganha muita repercussão nos meses em que é alta a transmissão. Isso acontece nos períodos mais chuvosos de cada região, segundo o Ministério da Saúde, pois o transmissor do vírus, o Aedes aegypti, precisa de água parada para se proliferar.Não se pode descuidar e a prevenção precisa acontecer o ano todo, considerando que os ovos do mosquito podem sobreviver por meses até encontrar boas condições para se desenvolver.

A fiscalização por parte dos agentes de endemias dos municípios precisa acontecer rigorosamente. A partir desta segunda (13), eles iniciam o segundo LIRAa (Levantamento Rápido de Infestação do Aedes aegypti) de 2019, inspecionando cerca de 10 mil imóveis na zona urbana e rural. O índice de infestação apontado pelo LIRAa feito no primeiro semestre foi altíssimo: a cada dez imóveis visitados, praticamente oito tinham focos do mosquito.

O Aedes, esse velho inimigo, voltou com força em 2019. Na última quinta-feira (9), a prefeitura confirmou que a morte de um homem de 74 anos por dengue. É a sexta morte pela doença em Londrina em 2019, após dois anos sem óbitos por dengue. E os números vêm disparando: são 886 casos confirmados.

É um avanço que assusta. Há quem responsabilize a chuva, o calor e a falta de cuidados com a limpeza e organização das casas. Outros culpam o poder público por permitir que uma doença que já estava erradicada tenha voltado de forma tão implacável. O fato é que o desafio de acabar com os criadouros do Aedes é de todos. Requer mobilização, informação, educação, tecnologia e, sobretudo, conscientização.

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