E A CHUVA NÃO VEM...
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domingo, 20 de outubro de 2002
Reportagem Local 
Trinta e um oficialmente. Trinta e nove segundo o motociclista que tira o capacete e deixa escorrer dos cabelos grossas gotas de suor. Quarenta e tantos conforme a menina de 10 anos que, transpirando, desce a leve ladeira em sua bicicleta, enquanto o pai, em bicas, tenta compensar o peso da barriga avantajada molhando a camiseta.
A verdade é que a temperatura alta está castigando o londrinense. Em outros anos, o outubro da Primavera ainda não estaria para piscinas. Neste 2002, quem tem o privilégio de ser sócio de um clube social está feito. Ontem a água ainda estava fria nas primeiras horas da manhã, mas já chamava para um bom mergulho por volta das 10 horas.
As piscinas dos clubes permaneceram lotadas praticamente até o anoitecer. Um leve prenúncio de chuva, por volta das 8 horas, não se concretizou, o que fez os pais cumprirem a promessa de passar o dia, com as crianças, com os pés nas águas.
Também ainda não chegou ao Norte do Paraná a ameaça fria e calculista das previsões oficiais da meteorologia. Há mais de uma semana, os boletins dizem: ''Chegada de nova frente fria pelo Sul mantém possibilidade de pancadas de chuva e trovoadas em praticamente todo o Estado''.
Mas, para o londrinense, o domingo quente foi aceito como uma dádiva. Se os mais abastados puderam se refrescar nas piscinas dos clubes sociais, os menos oportunados se dirigiram para a única opção disponível: as águas do Lago Igapó. Em alguns pontos, o aviso de ''Proibido Nadar'' foi escancaradamente desrespeitado. Meninos de idades diferentes, arriscando a pele e a saúde, usaram os barrancos do lago para treinar saltos.
Nas áreas urbanas, as bermudas e camisetas nos homens fizeram pares com as sandálias e os chinelões. Na feira livre realizada nas manhãs de domingo, bem no centro da cidade, meninas desfilaram com os umbigos de fora.
Entre verduras, legumes, ovos, frios e frutas, gente apressada, daquela categoria que prefere comprar produtos fresquinhos para, pelo menos no domingo, preparar um almoço especial. E o calor, torturante. Sol a pique, pior que dos piores verões dos últimos anos.
A melancia cara, não por oportunismo dos feirantes, mas por culpa da lei do mercado, não faltou nos carrinhos puxados por donas de casa. Laranjas, abundantes mas caras e de qualidade pouco atraente, encheram sacolas cobertas com muitas folhas. Alface, almeirão e outras espécies lembraram período de muito calor.
À noite, lanchonetes e bares lucraram com cervejas, saboreadas por gente descontraída, vestida para o verão. Fora dos ambientes sofisticados, onde a conveniência manda vestir traje esportivamente elegante, os recantos com mesinhas ao céu foram dos bermudeiros.
A meteorologia insiste: ''A frente fria provoca pancadas de chuva e trovoadas isoladas em diversas áreas do Estado. A temperatura tem um leve declínio, à tarde, no Sudoeste e Sul. A máxima chega aos 35º em Londrina e em Maringá e a mínima fica em torno de 16º na Capital e em Castro''. Previsão para esta segunda-feira, dia de trabalho.
Que chova. A agricultura pede. O londrinense implora.


