Dúvidas sobre o segundo semestre
Há crises crescentes em cooperativas do Paraná e a podridão na Assembleia Legislativa exala agora em Ivaiporã (manchete de hoje, deste jornal). E há o pessoal do PT se vendendo barato para Roseane Sarney, aquela filha de um santo homem (''Compram-se petistas'', revista Veja de domingo). Já o Presidente Lula, pelos graus que pretende galgar, prepara-se para ser Deus, após eleger Dilma, algo que a oposição está concordando e a Justiça Eleitoral torce. Mas tudo isso passa, até a crise nas cooperativas, porque uma corrige os erros da outra no estilo ''o corporativismo socorre - e acoberta o - cooperativismo''. O associado, generoso, entende.
Mas o que incomoda os comerciantes, grandes, médios ou pequenos, é o que vai acontecer no segundo semestre. Interessa também para o consumidor. Por enquanto os analistas econômicos estão dizendo que a piora do balanço de riscos justifica continuidade da alta de juros. Esse balanço de risco pode ser traduzido em volta da inflação. Até agora o governo manteve o pé na espiral. Mas, na hora que tirar o peso, ela vai pular igual bola de borracha. Esse é o medo do comércio e vai do vendedor de paçoquinha até o dono da fábrica de pastifício.
Acontece que enquanto o povo olha a telinha, com circo e muito pão, por enquanto, o ciclo de aperto monetário iniciado em abril continua. Na ocasião a medida tinha uma cara de coisa de burocrata quando o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou a Selic de 8,75% ao ano para 9,50%. A coisa era lá com os burocratas, hoje está mexendo com a economia do povo, no empório da esquina ou no grande varejo. Apesar de as médias das expectativas de mercado na - Pesquisa Focus - terem sido mantidas em 11,75% ao ano para 2010 e em 11,50% para 2011, os bancos apostam em um aperto monetário igual ou superior a 3,5 pontos porcentuais até o fim do ciclo.
Leitor, estão dizendo para você ter muita cautela com o seu investimento nos próximos meses. A LCA Consultores, por exemplo, elevou na semana passada de 2,50 pontos porcentuais para 3 pontos a magnitude do ajuste monetário. Juros altos, aponta alta na mercadoria; impossível não repassar. Fazer estoque, então? Não é uma boa pedida: o consumo pode retrair e você fica com o imobilizado. Tem que parar e pensar antes de apostar todas as fichas. Não foi falta de aviso.





