Durma com um barulho deste
A queda e explosão de um avião monomotor Bonanza, esta semana, em Curitiba, reacendeu a preocupação com a segurança das pessoas que moram e trabalham em imóveis localizados muito próximos a aeroportos. A aeronave caiu em cima de uma casa, onde funcionava um escritório, matando o piloto.
Nesse caso, não houve vítimas ou feridos entre os ocupantes dos imóveis vizinhos ao aeroporto do Bacacheri, de onde tentou decolar o pequeno avião. Mas o susto e o desespero da vizinhança do tradicional bairro curitibano ficou evidente na manhã de dois de março. Depois de uma temporada de calmaria, a questão segurança voltou a ser levantada não só naquela localidade, mas por pessoas que vivem próximas a outros aeroportos. E no Brasil há vários municípios que abrigam esses terminais em áreas bastante povoadas.
O Bacacheri é um bairro populoso e a casa atingida pelo avião é separada da cabeceira da pista do aeroporto apenas por um terreno. Os vizinhos tentam se recuperar do trauma. Ainda está na memória do brasileiro o acidente envolvendo um airbus da TAM, no dia 17 julho de 2007, que vinha de Porto Alegre a São Paulo. Ao pousar, a aeronave ultrapassou o final da pista e bateu contra um depósito de cargas da própria TAM. Esse prédio também era localizado perto da cabeceira da pista de Congonhas. Cento e oiteta e sete ocupantes do airbus morreram, além de 12 pessoas que estavam no prédio.
A discussão sobre quem deve sair (casas ou aeroportos) é sempre polêmica. Sorte dos vizinhos do Aeroporto Gastão Vidigal, de Maringá, que viram o local ser desativado há 10 anos, passando a funcionar em uma região mais afastada.
Enquanto uma mudança estrutural não acontece, moradores do Bacacheri cobram dos órgãos responsáveis (Ministério da Aeronáutica, Infraero e Anac) informações sobre a fiscalização das condições dos aviões (principalmente os de pequeno porte) que sobrevoam as suas casas. Nada mais justo para quem dorme ''com um barulho deste'' diariamente.





