Informação divulgada no Simpósio Internacional sobre Dekassegui mostra que os brasileiros no Japão representam a 3 maior comunidade de estrangeiros. Eles somam 316.967 pessoas. Mas por falta de oportunidade de emprego ou em razão de dificuldades financeiras, decorrentes da crise econômica mundial, inúmeros ainda continuam voltando. De acordo com a Embaixada Brasileira, no primeiro semestre do ano passado, mais de seis mil brasileiros fizeram o caminho inverso com a ajuda do governo japonês, que oferece bolsa de US$ 3 mil para os chefes de família e de US$ 2 mil para dependentes. Quem recebe a ajuda fica proibido de voltar por pelo menos três anos.
''O mercado brasileiro está absorvendo quem volta com muita dificuldade, na forma de subemprego'', afirma o headhunter Marcos Haniu, que estará em Londrina para ministrar a palestra ''Mercado de trabalho no Brasil para ex-dekasseguis''.
Nesta entrevista, ele fala dos principais desafios enfrentados pelo ex-dekasseguis e enfatiza: ''Quem volta para o Brasil tem que deixar o orgulho de lado e começar a gerar renda. Tem que ajudar na feira, no balcão de um comércio, fazer alguma coisa.''
A taxa de ex-dekasseguis que estão retornando ao Brasil continua alta?
No Japão os postos de trabalho diminuíram. Há registros que mostram que 50 mil pessoas retornaram do Japão entre outubro de 2008 e outubro de 2009. As pessoas que tinham visto irregular no Japão não estão incluídas nesse número. Por isso, pode-se dizer que até 70 mil pessoas retornaram ao Brasil nesse período. Eles estão voltando ao Brasil fugindo da falta de oportunidade de trabalho. Ou, muitas vezes, o trabalho não satisfaz as necessidades financeiras da pessoa, da família. Eles estão aceitando o pacote que o governo japonês está oferecendo.
O mercado brasileiro está absorvendo quem retorna?
Com muita dificuldade, na forma de subemprego. A pessoa trabalha com algo bem diferente do que fazia no Japão. A média que os dekasseguis ficam no Japão é de oito anos. E quando eles voltam ao Brasil encontram um país totalmente diferente. Antes o que era conhecimento diferenciado de informática hoje é uma obrigação. As exigências são maiores. Além disso, o retorno causa uma crise de identidade. No Japão ele sofreu como estrangeiro e ao voltar para o Brasil não consegue a dignidade de um brasileiro na questão de emprego. Eles sofrem bastante com a geração de renda. Muitos ficam desempregados. O mercado exige qualificação. No entanto, os ex-dekasseguis não sofrem com a moradia. Normalmente eles conseguem alternativa junto a casa de amigos e parentes.
Quais os principais desafios enfrentados para se reinserir no mercado brasileiro?
Hoje o Brasil não está em um momento de grandes contratações. As pessoas se candidatam para trabalhar em um banco, por exemplo. Mas há quanto tempo elas não usam uma planilha excell ou uma calculadora HP12C? No Brasil os dekasseguis demonstram interesse em aprender. Mas no Japão eles não tiveram condições ou tempo de estudar. Uma coisa interessante é o idioma japonês. A maioria dos que voltam, que trabalharam 10, 12 anos no Japão, não falam japonês.
Hoje é vantagem retornar?
Eu ficaria no Japão, pois lá tem empregabilidade, o que não existe no Brasil. Muitos chefes de família fazem um grande esforço para mandar os filhos de volta e ficam no Japão gerando renda. É uma alternativa. Enquanto as pessoas estiverem lá é importante estudar. Fazer curso de japonês, inglês, informática. Tem que se superar. Se voltar para o Brasil é preciso deixar o orgulho de lado e começar a gerar renda. Tem que ajudar na feira, no balcão de um comércio. É importante fazer alguma coisa.
Então, na sua opinião, muitos dekasseguis não se sujeitam a determinados empregos quando voltam ao Brasil?
A gente não pode categoricamente dizer isso. Mas se tiver alguém buscando emprego, acho que deve abrir mão de todo orgulho e começar a estudar e gerar renda de alguma forma.

Serviço:
Palestra ''Mercado de trabalho no Brasil para ex-dekasseguis'' será realizada dia 31/01, às 13h30, no Hotel Sumatra (Rua Souza Naves, 803). Informações (43) 3324-5062.

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