Dumping social e políticas inteligentes - Fernando Miranda
PUBLICAÇÃO
domingo, 07 de dezembro de 1997
Fernando Miranda 
O comércio exterior brasileiro está em pânico pendular. O presidente Fernando Henrique Cardoso aponta uma meta de 100 bilhões de dólares para as nossas exportações, ou seja, um crescimento de 100% nos próximos anos. De outro lado há mais de 25 anos não passamos de 1% da participação do comércio mundial.
E a recente crise na Ásia trouxe outro temor além do dumping social que soprava da China, temos hoje vindo também do Oriente o dumping cambial. As desvalorizações cambiais das países asiáticos com repercussão visível nos preços finais de mercado e o aumento da oferta desses produtos criou mais um fantasma na luta por mercados. Urge políticas inteligentes para incremento das exportações, realistas, simples, práticas sem o reinvento da roda.
Uma dessas políticas analisamos, recentemente, no Brasília em Dia, se refere aos cases e convém relembrar que é essa uma das boas estratégias para mobilizar pequenas e médias empresas, aumentar a produção, a geração de empregos e os números da balança comercial. É, o caminho das pedras, a experiência dos que deram certo na exportação repassado para os iniciantes, com casos reais. É o caso contado por quem vivenciou o processo.
É um sistema simples, que traz experiências e motivações em uma mobilização principalmente no interior do país e junto às áreas de produção. Isso aumentou a base das empresas exportadoras do país, hoje na mão de 800 empresas nacionais e valoriza a pequena e média empresa que vê a Bolsa de avais e na Antecipação de Contratos de Câmbio indireta, ou seja, em uma espécie de draw back verde e amarelo alguns caminhos. Mas as trades companies as famosas tradings brasileiras podem e devem voltar reformuladas e dedicadas essencialmente às exportações.
Existe uma outra política inteligente no incremento do comércio exterior que é decisiva. Já foi testada no passado, funcionou, vários países aplicam com sucesso é, também, a de formular projetos de exportação por setor. Ainda, recentemente, alguns empresários de importante segmento industrial brasileiro se reuniram em São Paulo para uma análise das suas empresas dentro da atual crise. Estão em pânico, como disse no início. Mas o importante é quem tem experiência, são lutadores e competentes. Estão dispostos a apresentar ao Governo projetos e soluções para sair da crise, aumentar a exportação e vender melhor no exterior.
Analisaram duramente um dia as suas possíveis saídas, montariam um projeto e rediscutiriam tudo com o Governo. São anos de experiência e conhecimento do setor e uma vontade forte de sair da crise, enfim, esses empresários tem um espírito de luta exemplar, vertical.
O Governo tem que discutir por setor a saída da crise. Não dá para misturar ferro guza com aviões, soja com motores. São mundos diferentes, de difícil assimilação pelo Governo desses problemas e que representa, no entanto, para esses empresários, pequenas, médias e grandes empresas o dia a dia deles, uma vida de trajetórias de lutas e de conhecimento inclusive do que quer sua majestade o mercado.
A discussão é a saída por setores. Representa a aplicação de uma política inteligente, testada e permitirá um diálogo produtivo entre o Governo e Empresários.
Políticas pouco inteligentes nos fazem, como Brasil, perder um tempo irrecuperável, energias e traz frustrações. Falar nisso como estão decantadas Zonas de Processamento de Exportações, as famosas ZPES que foram transplantadas (a idéia) do Sudeste Asiático para a nossa realidade tupiniquim?
- FERNANDO MIRANDA é diretor da Associação de Comércio Exterior do Brasil - AEB e presidente do Conselho de Comércio Exterior da Associação Comercial do Paraná - Concex.


